"Revelação" é thriller com espírito de Hitchcock

Harrison Ford se consagrou em Hollywood ao encarnar o homem comum que, sob circunstâncias extraordinárias, se transforma em herói. Revelação, um thriller dirigido por Robert Zemeckis, chega às telas como uma exceção à regra. Aqui o astro exercita a faceta de vilão ao interpretar um cientista que a todo custo quer esconder da mulher um antigo caso extraconjugal."Quando comentei com Steven Spielberg que Ford faria o papel, ele questionou a minha escolha. Disse que Ford não convenceria na pele de um sujeito sem escrúpulos´´, contou Zemeckis, que se diz satisfeito com a performance do ator. "O que mais me motivou a escalá-lo para o papel foi justamente o fato de Ford nunca ter feito nada parecido antes´´, disse o diretor, em entrevista concedida em Veneza.Na história assinada pelo roteirista Clark Gregg, Ford interpreta o dr. Norman Spencer, um cientista que aparentemente vive só para o trabalho e para a família - a mulher Claire (Michelle Pfeiffer) e a filha Caitlin (Katharine Towne). Claire, no entanto, começa a desconfiar da fidelidade do marido ao presenciar estranhos acontecimentos na casa. A partir desse ponto, Revelação progride na direção de um thriller, na medida em que o espírito da ex-amante do cientista (vivida pela modelo Amber Valletta) passa a assombrar o casal. Mais especificamente Claire, que mergulha em uma investigação mesmo estando aterrorizada com as constantes aparições do fantasma.Como não tinha experiência no gênero, o cineasta disse ter seguido a cartilha deixada por Alfred Hitchcock. "O filme é a minha homenagem ao mestre, que escreveu a linguagem do suspense. Ele sabia que as situações mais assustadoras eram aquelas em que não acontece nada, assim como sabia que a imaginação do público sempre vai mais longe na concepção de algo realmente horripilante.´´Zemeckis, vencedor do Oscar de melhor diretor por Forrest Gump, definiu o trabalho como "uma tentativa de imaginar como o mestre faria um thriller hoje´´. "Eu sempre me perguntei como Hitchcock, se ainda estivesse vivo, usaria todos os recursos cinematográficos atuais. E o filme nasceu dessa idéia.´´

Agencia Estado,

05 de setembro de 2000 | 20h44

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