Retratos de Família traz a divertida Amy Adams

É incontável o número de filmes que já trataram sobre a questão do choque de culturas. Uns ganharam prêmios pela originalidade da abordagem, outros caem na mesmice. O diretor Phil Morrison faz sua estréia em longas-metragens usando O o tema do choque de culturas em Retratos de Família. Mas ele não precisou partir para o óbvio para falar do assunto, como jogar um índio em Manhattan ou um londrino em uma tribo isolada de mongóis. Ele apenas deslocou um casal de uma capital, no caso Chicago (Illinois), para o interior do estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. E o choque de culturas, crenças e valores não poderia ter sido maior. Madeleine (Embeth Davidtz) é uma artista plástica britânica que já morou no mundo todo por conta da carreira de seu pai, que é diplomata. Ela é recém-casada com George (Benjamin McKenzie), também um refinado trabalhador da capital. Por conta de um cliente da mulher que mora no interior da Carolina do Norte, George aproveita para levá-la a conhecer sua família no interior. A cidadezinha é daquelas cercada de verde, com poucas pessoas na rua e quase nenhum carro. As casas são simples, organizadas, limpas e calmas. Neste lugar, a rapidez de pensamentos e atitudes da capital não têm espaço. A sofisticação muito menos. Madeleine é recebida com desconfiança pelos pais de George. "Mulher assim bonita, magra e inteligente não se dá para confiar", diz, em determinado momento, a sempre ofendida mãe de George, Peg. No entanto, a cunhada Ashley - vivida por Amy Adams, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel e vencedora de diversos prêmios nos EUA - a recebe como uma verdadeira estrela de cinema. Seu carisma, doçura e simplicidade inundam todo o filme. Ashley parece burra, mas sua inteligência apenas não é verbalizada. Ela está prestes a dar à luz ao bebê de Johnny, irmão de George. Johnny, por sua vez, é um rapaz amargurado com algo que o filme não explica. Talvez pelo filho indesejado, pela presença do irmão - que é evidentemente o filho predileto e tido como o único bem sucedido da casa - ou até por rusgas passadas. Confusão de códigosUm dia, por exemplo, Madeleine oferece ajuda a ele para terminar uma redação do curso supletivo. Ele confunde a gentileza da cunhada com um galanteio e tenta agarrá-la e beijá-la. Madeleine tenta ao máximo se inserir na rotina pacata da família, onde a fé exacerbada em Jesus toma lugar da psicologia nas discussões e reflexões. A moça descobre, por exemplo, que o marido gosta de cantar músicas de igreja. No chá de bebê, as amigas de Ashley a olham com um misto de estranhamento e curiosidade. No entanto, por mais gentil que Madeleine seja, é evidente que ela os olha com ar de superioridade. Porém, por mais gentil que Madeleine seja, ela não consegue entender os valores da família e acaba priorizando o trabalho no momento em que Ashley estava dando à luz. No final, o olhar de Madeleine sobre o ocorrido parece refletir para a idéia central de Retratos de Família: a de que o instruído, o culto e o cosmopolita não é, necessariamente, superior a nada nem a ninguém.

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