Retrato de jovens encarcerados choca uruguaios

Um documentário uruguaio está gerando controvérsia e dúvidas sobre a ética do cineasta Mario Handler. Seu novo filme, Aparte, mostra adolescentes consumindo drogas e ferindo seus próprios corpos. O problema é que Handler admitiu que pagou 200 pesos (cerca de R$ 22) para que os jovens, que são internos de uma colônia penal, se deixassem filmar cortando seus braços. O filme de Handler fala do cotidiano de adolescentes criminosos.A auto-flagelação é comum no Instituto Técnico de Reabilitação Juvenil, onde Handler filmou. É a maneira que os jovens encontraram para chegar a um hospital de onde podem fugir com mais facilidade. O filme, que estreou há oito dias, gerou polêmica entre políticos e outras autoridades. Uma deputada do partido do governo uruguaio disse que "não há necessidade de pagar para que os jovens se cortem, isso vai além da ficção". O diretor da instituição disse que "as cenas dos cortes revelam grande insensibilidade".O cineasta se defendeu dizendo que "se a maior parte do público aprova (o filme), significa que o povo está a favor de que se mostrem estas verdades". Classificando a posição de políticos e organizações de assistência como invejosas, Handler afirmou que seu objetivo é "conscientizar essa sociedade, e se algum setor da sociedade me ataca, é que querem matar o mensageiro que traz más notícias. Eu os trago más notícias".

Agencia Estado,

16 de junho de 2003 | 17h14

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