Mostra de SP
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Repescagem da Mostra tem o cultuado ‘O Farol’ e a dor de ‘Cicatrizes’

Programação segue com apresentação de filmes que se destacaram na agenda regular do evento em 2019

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2019 | 06h00

Robert Eggers substituiu Sofia Coppola como o mais hype dos diretores/autores de língua inglesa? Em São Paulo, sim. Havia gente formando fila no Auditório Ibirapuera, desde terça pela manhã, à espera de alguma desistência para poder ver O Farol. O culto começou com A Bruxa/The Witch. Prossegue, como a predileção do ainda jovem cineasta de 36 anos pelo gênero. Willem Dafoe como lobo do mar e Robert Pattinson como aprendiz. Dois homens isolados na ilha que abriga o farol. Um relato de expiação mitológica, farto em referências cinematográficas e literárias. O isolamento enlouquece os homens. Há uma troca de identidades, eles de destroem. 

De alguma forma, Lord Jim, de Joseph Conrad, encontra o terror de Stanley Kubrick – o machado de Jack Torrence, em O Iluminado. Com deslumbrante fotografia em preto e branco – dificilmente será ignorada no Oscar –, volta ao formato quadrado de tela. Som demais, tela de menos. Claustrofobia. Vanguarda à retaguarda – nada novo, mas os tietes adoram. 

A repescagem da Mostra está apresentando, no CineSesc, 29 filmes que se destacaram durante o evento, incluindo os vencedores dos prêmios do júri oficial e da crítica. O Farol é uma das atrações desta sexta, mas, calma, você pode privilegiar outros títulos e ver só em fevereiro, quando The Lighthouse deve estrear nos cinemas. 

Também nesta sexta passam o drama da Sérvia Cicatrizes, de Miroslav Terzic, e o documentário de Barbara Paz, premiado em Veneza, Babenco – Alguém Tem de Ouvir o Coração e Dizer: Parou. Barbara acompanha, narrando na primeira pessoa, a agonia do marido cineasta. Ecos de Wim Wenders, Nick’s Movie – A Slow Boat to China.

Terzic filma uma mente convulsionada – uma mulher que há 28 anos perdeu o filho e não se conformou. Para a personagem, a história do natimorto não funciona. Ela acha que o filho foi dado para adoção num esquema do hospital. E sofre há décadas. Marido e filha participam do seu tormento.

Depois de viajar pela mente dela, o filme viaja pela da filha, que, influenciada pela mãe, também começa a duvidar da morte do irmão. A personagem é costureira. Remenda roupas, mas não consegue curar as próprias cicatrizes. Numa Mostra marcada por tantos filmes sobre mulheres, Cicatrizes é dilacerante.

Veja aqui a programação completa da Repescagem da 43.ª Mostra.

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