Renée Zellweger volta sexy e afinada

Até 2001 Renée Zellweger não passava de uma atriz com sotaque texano que brigava por espaço sob os holofotes de Hollywood. Dois anos e alguns prêmios depois, a loira que chamou inicialmente a atenção ao dividir a tela com Tom Cruise em Jerry Maguire dá adeus ao anonimato, tornando-se mais uma queridinha da indústria cinematográfica. Seu currículo já registra a conquista de dois Globos de Ouro e uma indicação ao Oscar. Proeza que Renée promete repetir este ano por conta da elogiada performance no musical Chicago.O papel de Roxie Hart, uma aspirante a dançarina de cabaré na Chicago dos anos 20, já lhe assegurou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia no último dia 19. Renée já havia sido premiada pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Los Angeles em 2001, pelo desempenho em A Enfermeira Betty. "Não quero me iludir. O Oscar geralmente privilegia as atuações dramáticas", comenta a atriz de 33 anos, que concorreu ao prêmio da Academia no ano passado pela comédia O Diário de Bridget Jones - perdendo a estatueta para Halle Berry.Buscando revelar facetas até então desconhecidas, Renée cantou pela primeira vez em público em Chicago - com estréia nas salas brasileiras em 28 de fevereiro. "Só tinha soltado a voz debaixo do chuveiro e naquela cena do karaokê na pele de Bridget Jones." Mesmo sem experiência, a atriz disputou a personagem do musical com 12 outras estrelas de Hollywood. "Tremia antes de fazer o teste. Mal pude acreditar quando o diretor Rob Marshall disse que o papel era meu. Cantar e dançar me deu a chance de desenvolver habilidades que eu ainda não tinha explorado." Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que Renée concedeu à Agência Estado, em Nova York."Chicago" aposta na sua sensualidade. Isso é um movimento calculado em sua carreira, principalmente depois da atrapalhada Bridget Jones?Não foi intencional. Estou mais sexy à medida que a minha personagem usa o sexo para conseguir o que quer. Algo que eu não tinha feito antes no cinema. A chance de ficar mais bonita, usar roupas sensuais e saltos altos nas telas obviamente me instigou. Principalmente por ser o oposto de mim. Eu raramente capricho diante do espelho antes de sair. Em casa são grandes as chances de você me encontrar vestindo um abrigo de ginástica (risos). Se você perguntar qual a marca do meu sapato, eu não saberia dizer. Não ligo muito para essas coisas superficiais.Mesmo sendo uma mulher dissimulada, Roxie é adorável, o que faz a platéia torcer por ela. Isso não a incomoda, investir mais uma vez na imagem de queridinha?Não me sinto responsável por isso. Faço as escolhas que julgo certas e honestas. A minha perspectiva na hora de escolher um papel é extremamente egoísta. Eu quero aprender, crescer, conhecer gente nova e ampliar os meus horizontes. Aproveito para enriquecer a minha vida pessoal com a profissão que escolhi. O resto é pura projeção. Eu não tenho como controlar a percepção das pessoas a meu respeito. Não quero perder tempo pensando: Se eu fizer isso, as pessoas vão pensar aquilo.Quanto tempo levou para aprender a cantar e a dançar como uma profissional?Ainda não sei se aprendi (risos). Foram três meses de treinamento intenso. Era como se eu estivesse na escola de novo. Tínhamos aula de canto e de dança todos os dias, além dos ensaios dos números musicais. Nem podíamos parar para avaliar o que estávamos fazendo. Era uma coisa atrás da outra. Enquanto eu ensaiava acompanhada de um pianista, Richard Gere tinha aula de sapateado e Catherine Zeta-Jones trabalhava com os coreógrafos. Depois nós fazíamos rodízio.Você e Catherine são rivais na trama, onde as duas não medem esforços para atingir o estrelato. E fora das telas? Houve algum tipo de competição?Não havia lugar para isso. No set, éramos duas garotas vibrando com a chance de cantar e dançar no cinema, algo raro hoje em Hollywood. Ainda sabíamos que o filme não funcionaria se não trabalhássemos de mãos dadas.Haverá mesmo uma continuação de "O Diário de Bridget Jones"?Eu me sinto agradecida por tudo o que a experiência na pele de Bridget me proporcionou. Mas só vou revisitar a personagem se ela realmente tiver mais histórias para contar. Não adianta o estúdio pressionar. É preciso tomar cuidado. Não quero fazer só por fazer. Gosto demais de Bridget para isso.Você engordaria novamente os 10 quilos que a personagem exigiu naquela época?Sim. Isso seria fundamental para realizar o filme do jeito certo, mantendo o que Bridget tem de especial. O peso de uma personagem é uma característica sua. Assim como o corte de cabelo e o jeito de falar. Quando embarco em nova jornada, estou disposta a tudo para vivê-la plenamente.Sentiu-se vingada com o sucesso de "Bridget" no Reino Unido, considerando que os ingleses a princípio duvidaram de que você seria capaz de interpretar uma britânica sem cair na caricatura?Como eu ganho a vida fingindo ser outra pessoa, nunca duvidei de que daria o máximo de mim na composição. Mas é natural as pessoas esperarem que ingleses interpretem personagens ingleses. Principalmente no caso de Bridget, que já era querida do público por causa do livro escrito por Helen Fielding. Fico feliz que, no final das contas, os espectadores e crítica tenham sido generosos comigo. Tenho tido muita sorte mesmo.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 15h39

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