AFP PHOTO / VALERY HACHE
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Renata Almeida fala da sua relação com o cineasta português Manoel de Oliveira

'Foi um grande artista e uma pessoa adorável', afirma

O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2015 | 16h00

"Conheci Manoel de Oliveira em Cannes, no ano de Non, ou a Vã Glória de Mandar. Já estava trabalhando na Mostra e tinha a referência do artista, mas o homem foi lá que conheci. Manoel não foi só um amigo da Mostra. Tornou-se um amigo querido da gente. Do Leon (Cakoff), meu. Ele fez o cartaz da Mostra, retribuímos editando um livro lindo sobre ele. Agora mesmo, ao falar sobre Manoel, lembro-me do seu sorriso. Ele parecia imorredouro. E era muito bem humorado. Esse humor foi se afinando com o tempo. No Rio, quando recebeu a Ordem do Mérito, houve uma homenagem, seguida de escola de samba.

Gentilmente, tentamos tirá-lo da mesa, por causa da barulheira, mas o Manoel disse que tudo bem - já havia desligado o aparelho de surdez. Parece um detalhe sem importância, mas, além do humor, é a prova de que ele soube se adaptar. À vida, à idade. Manoel fez grandes filmes. Os maiores? Vale Abraão, o Non, O Estranho Caso de Angélica, que ajudamos a produzir, e um que nem é tão considerado, mas eu amo, o Vou para Casa. Michel Piccoli olhando para o cadarço desamarrado do sapato, aquele era o humor do Manoel. Foi um grande artista e uma pessoa adorável. No ano passado, exibimos seu curta, O Velho do Restelo. Já era um testamento. A gente achava que ele seria eterno, Manoel sabia que era finito e fez o filme para deixar claro."

* RENATA ALMEIDA - DIRETORA DA MOSTRA DE SP

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