Desirée do Valle
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Relembre os ex-presidentes da República que ganharam cinebiografias

Lula, Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves já tiveram as vidas refilmadas

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 06h00

Filmes ficcionais tendo presidentes como personagens principais são meio raros no Brasil, mas não inexistentes. Nos anos recentes, pôde-se lembrar, por exemplo, de Bela Noite para Voar (2009), de Zelito Viana, baseado no livro de Pedro Rogério Moreira sobre o presidente Juscelino Kubitschek.

Na verdade, é sobre um suposto episódio da vida de JK. Enfrentando um período difícil em sua trajetória, com o mandato ameaçado, ele decide tomar um avião numa noite de má meteorologia para se encontrar com a namorada vivida por Mariana Ximenez, o que justifica o risco.

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Lula – O Filho do Brasil (2009), de Fábio Barreto, refaz a trajetória de Luiz Inácio da Silva, com ênfase na infância e juventude pobres, a política sindical, etc. O filme foi massacrado no lançamento porque, como tudo que se relaciona a Lula, foi visto com suspeição antecipada. Mas não é nada mau para uma cinebiografia.

Getúlio, de João Jardim, é outro filme a ser lembrado. Com Tony Ramos no papel principal, descreve os dias finais do segundo governo de Vargas, quando, prestes a ser derrubado por um golpe, o presidente se suicida no Catete, em 24 de agosto de 1954. Também é obra de boa qualidade, reconstituindo o opressivo ambiente palaciano, filmado no próprio local, o atual Museu da República. 

Já os documentários são muitos. A começar pelos de Silvio Tendler, Anos JK (1980) e Jango (1984), de grande sucesso popular. Revivem, através das personas de Juscelino e João Goulart, anos turbulentos da política brasileira, com ameaças de quarteladas e outros golpes baixos. Pôde-se dizer que, na época em que foram lançados, anos de declínio da ditadura, os brasileiros tinham fome de História recente, ela própria envolta num manto de censura. Aliás, o próprio Silvio fez um doc sobre Tancredo Neves, em 2011: Tancredo – A Travessia. 

Nos EUA, os presidentes são personagens mais frequentes. Steven Spielberg, em Lincoln (2012), mostrou a luta do político pela abolição da escravatura, usando procedimentos que hoje, no Brasil, o tornariam réu da Lava Jato. Personagens trágicos ou controversos, como John Kennedy e Richard Nixon, foram temas de Oliver Stone. JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar (1991) e Nixon (1995) são dois belos filmes. E, sobre a queda de Nixon há o imprescindível Todos os Homens do Presidente (1976), de Alan Pakula, descrição minuciosa e eletrizante de como e quando o presidente foi pego com a boca na botija no Caso Watergate. 

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