Rei Arthur volta em nova versão para o cinema

Depois de Gladiador e Tróia, o Rei Arthur chega para atualizar a novela de cavalaria de Sir Thomas Malory, Le Morte d´Arthur (1485), a partir de evidências históricas e arqueológicas recentes de que realmente existiu um tal de Arthur, que teria combatido os saxões e se tornado o primeiro rei da Inglaterra. Essa é a proposta do filme, dirigido por Antoine Fuqua, de Dia de Treinamento. No filme, Arthur (Clive Owen) foi tirado ainda jovem da sua família na distante Sarmatia para servir ao exército romano e se tornou um soldado exemplar. Antes de se ver livre do serviço militar obrigatório de 15 anos, ele e seu pelotão de cavaleiros beberrões recebem do império uma última missão: resgatar um jovem pupilo do Papa e combater a invasão dos sanguinários saxões, liderados pelo despótico Cerdic (Stelan Skarsgard). Para completar sua missão, Arthur se alia aos Woeds, um povo místico cujos corpos são marcados por tatuagens tribais que vive nas florestas, comandado por ninguém menos que Merlin (Stephen Dillane). O bruxo que na lenda aconselha o futuro rei da Inglaterra ganha aqui ares de uma espécie de guia espiritual. E ao seu grupo junta-se também a bela Guinevere (Keira Knightley), uma Woed resgatada do trabalho escravo, bem distante da imagem de donzela em perigo popularizada pela versão lendária. O clássico triângulo amoroso que se estabelece entre o Arthur, Guinevere e Lancelot (Ioan Gruffud), no filme aparece apenas sugerido em cenas de alívio cômico. Uma delas mostra o confronto dos cavaleiros, reduzidos apenas à sua formação inicial, mais a combativa donzela, com um numeroso exército de saxões em um lago gelado no meio de um vale. Antes da batalha, Lancelot provoca Guinevere: "Há um monte de homens solitários naquele bando". A resposta dela: "Fique sossegado, não vou deixar que toquem em você". O grupo é muito desigual, mas unido por laços de amizade e fidelidade fortes. Além de Lancelot, fazem parte do pelotão Tristan (Mads Mikkelsen), Gawain (Joel Edgerton), Galahad (Hugh Dancy), Bors (Ray Winstone) e Dagonet (Ray Stevenson). Com atitudes e até sotaques diferentes, todos parecem ter vindo de diferentes partes da Inglaterra. Fuqua criou cenas de batalhas impressionantes, sem lançar mão de guerreiros virtuais - a maioria das aglomerações têm extras de verdade. E mesmo quando usou as imagens geradas por computador teve o bom senso de não cair no exagero. Mas não conseguiu dar um passo diferente e ir além de filmes como, por exemplo, o excelente Excalibur, até hoje uma das melhores leituras feitas da lenda.

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