"Refém de Uma Vida" privilegia a palavra

Logo na abertura de Refém de Uma Vida, Robert Redford é seqüestrado. Ele faz um homem de negócios que é abordado por um estranho na saída de casa. Nada espetacular, mas o suficiente para desencadear um relato que engloba dois filmes. Ambos constroem-se sobre conversas. O cinema falado mais do que de ação. Um filme acompanha o seqüestrado e seu seqüestrador, interpretados por Redford e Willem Dafoe, que cria um personagem complexo, não o típico vilão de carteirinha. Falam sobre a dificuldade de mercado de trabalho para homens de uma certa faixa etária, por exemplo. Porque foi despedido e não encontra colocação é que Dafoe faz o que faz. Pode não ser uma boa desculpa, do ponto de vista moral. Não é porque ficou desempregado que um homem pode virar seqüestrador impunemente.O outro filme em Refém de Uma Vida é construído do ângulo da mulher que espera. Helen Mirren, uma senhora atriz, é a intérprete dessa moderna Penélope. Ao mesmo tempo que tenta preservar a família - os filhos, o marido -, ela descobre que ele tem outra. E é aí que os dois filmes se cruzam, ganhando estrutura mais psicológica do que movimentada. Redford faz um pedido para Dafoe, que tem a grandeza de conceder. Leva à mais bela cena com Helen.

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