Redford traz apatia dos EUA em 'Leões e Cordeiros'

Na pele do professor universitário Stephen Malley, ator incorpora o centro moral do filme

Reuters,

07 de novembro de 2008 | 15h18

Militante político tanto na arte como na vida pessoal, o veterano Robert Redford volta à cadeira da direção depois de sete anos para realizar o drama Leões e Cordeiros, sobre a guerra do Afeganistão e a atual apatia cívica dos norte-americanos.  Redford, que fez Lendas da Vida em 2000, não só dirige como produz e atua no filme. Na pele do professor universitário Stephen Malley, Redford incorpora uma espécie de centro moral do filme, que busca refletir sobre responsabilidade individual e coletiva, além de motivar um aluno brilhante, mas acomodado, Todd (Andrew Garfield). Personagem menos atraente da trama, Todd tem uma função essencial - ser o símbolo de uma certa juventude norte-americana que está negociando seu talento pelo maior preço e o sucesso material mais rápido. O fogo cruzado é mais direto no outro lado do mundo, para os soldados Ernest Rodriguez (Michael Pena) e Arian Finch (Derek Luke), que resolveram entrar na guerra inspirados pelas ideologias do professor Malley. Envolvidos em uma missão secreta no Afeganistão, eles caem em local perigoso, sob a mira de milícias do Taliban. Sua vida depende da rapidez de um resgate e de manobras políticas que são tomadas a milhares de quilômetros dali. Mais precisamente, no gabinete do senador Jasper Irving (Tom Cruise) que, naquele momento, dá uma entrevista exclusiva a uma veterana repórter de televisão, Janine Roth (Meryl Streep). A entrevista é o foco mais importante da ação, porque revela os mecanismos de propaganda que colocam em movimento a máquina de guerra - da qual é parte fundamental o controle da opinião pública. Convencer a tarimbada repórter de que será vitoriosa esta nova operação executada no Afeganistão é, portanto, mais uma estratégia bélica. E que beneficiará também a carreira do jovem e ambicioso senador republicano, de olho na Casa Branca.Redford, como se sabe, é um histórico apoiador do Partido Democrata e não perdeu a chance de lançar uma farpa aqui.Nos três focos narrativos, no front, no gabinete do senador e na sala do professor, revelam-se três becos sem saída, verdadeiros símbolos do impasse em que se encontram os Estados Unidos. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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