Recife abre hoje o festival Cine PE

Com recorde de 30 mil espectadores no Cine-Teatro Guararapes no ano passado, o Festival do Recife abre hoje com novo nome e a ambição de atrair ainda mais público. Agora o nome do evento é Cine PE - Festival de Audiovisual e a expectativa de seu diretor, Alfredo Bertini, é de bater o próprio recorde, chegando a 50 mil espectadores. O Guararapes é o maior cinema do País, abrigando 2600 espectadores sentados na área que, na verdade, é o Centro de Esportes de Olinda, adaptado para funcionar como uma gigantesca sala de exibição. A festa vai recomeçar. Hoje à noite, a diretora Ana Maria Magalhães sobe ao palco do Cine-Teatro Guararapes para apresentar seu filme Lara, baseado em incidentes da vida da atriz Odete Lara, que Ana utiliza não para compor uma biografia, no sentido tradicional, mas para refletir sobre a condição da mulher. Lara já foi exibido no Centro e Sul do País. Permanece inédito no Norte e Nordeste. É o filme de abertura do Cine PE. Não foi só o nome do festival que mudou. Tudo, agora, no antigo festival do Recife é novo. Até o troféu que será entregue aos vencedores na festa de encerramento, no dia 30. Chama-se agora Calunga e é uma criação da artista plástica pernambucana Juliana Notare, homenageando o maracatu. Houve modificações importantes na programação que foi anunciada anteriormente pelo Estado. O filme de encerramento não será mais Amarelo Manga, de Cláudio Assis, que seria apresentado fora de concurso. Assis preferiu levar seu filme ao Cine Ceará, para participar da competição, em maio. O encerramento será feito com a première nacional de Viva Sapato!, de Luiz Carlos Lacerda. Problemas para fechar uma seleção de documentários inéditos levaram ao cancelamento da competição nessa categoria. Mesmo entre os longas de ficção que participam do concurso, há poucos realmente inéditos. Alguns, a exemplo de Lara, já estrearam em diversos pontos do País, mas permanecem inéditos no Nordeste, o que os habilita a participar da competição. São os casos de Durval Discos, de Anna Muylaert, grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado, e Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily, também premiado em Brasília, em 2002. Outros concorrentes também já integraram a programação de Brasília: Celeste e Estrela, de Betse de Paula, passou fora de concurso, Lua Camabará, de Rosemberg Cariri, concorreu aos Candangos. Rua Seis, sem Número, de João Batista de Andrade, abriu o Festival de Melhores do CineSesc, em março. Não participou de nenhuma mostra competitiva no País e, no Festival de Berlim, em fevereiro, passou fora de concurso. Narradores de Javé, de Eliane Caffé, é outro inédito em competições nacionais. Samba-Canção, de Rafael Conde, integrou, entre outras, a Mostra BR de Cinema - Mostra Internacional de Cinema São Paulo, também no ano passado. Justamente o elogio de Leon Cakoff, criador do evento paulista, é a credencial de Concerto Campestre, o único ineditíssimo (em mostras brasileiras e internacionais). Cakoff gostou muito do filme que Henrique de Freitas Lima adaptou do livro de Luiz Antônio Assis Brasil. Além de Viva Sapato!, outros dois longas serão exibidos fora de concurso: À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel, e Apolônio Brasil, Campeão da Alegria, de Hugo Carvana. Um festival como o do Recife, com seu público caloroso, tem entre os seus objetivos a integração da produção nacional. Paulistas, brasilienses, cariocas, do Norte e do Sul. Não importa a origem. São filmes brasileiros, que o Cine PE vai celebrar.

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