EFE/ Paramount Pictures Quantrell D. Colbert
EFE/ Paramount Pictures Quantrell D. Colbert

Realeza na comédia: Eddie Murphy e Arsenio Hall em ‘Um príncipe em Nova York 2’

Estrelas do humor e amigos de longa data, eles falam sobre sua história juntos e seus muitos, muitos papéis no filme original e na nova sequência

Dave Itzkoff, The New York Times

04 de março de 2021 | 15h00


Houve um tempo em que Eddie Murphy dominava as salas de cinema como um rei - ou pelo menos um príncipe.

Na década de 1980, ele coroou uma série de sucessos de bilheteria (48 horas, Trocando as Bolas, Um Tira da Pesada) e sets de stand-up (Eddie Murphy - Sem Censura) com Um príncipe em Nova York. Aquele filme de 1988 colocou Murphy no papel do príncipe Akeem, o príncipe rico da fictícia nação africana de Zamunda, que viaja sem revelar sua identidade para Nova York com seu fiel assistente, Semmi (Arsenio Hall), em busca de uma mulher que o ame por ser quem ele é.

Um príncipe em Nova York, dirigido por John Landis, ganhou força por sua química com Hall e pelo talento deles para interpretar inúmeros outros personagens, incluindo um reverendo untuoso (Hall), um cantor de soul medíocre (Murphy) e os fregueses briguentos de um barbeiro (Murphy, Hall e Murphy).

Murphy teve muitos altos e baixos em sua carreira desde então, embora recentemente tenha passado por uma fase boa que inclui seu filme biográfico de sucesso de 2019, Meu nome é Dolemite. E agora ele está voltando para Zamunda na tão esperada sequência Um príncipe em Nova York 2, que a Amazon lança em 5 de março.

A sequência, dirigida por Craig Brewer, mostra um Akeem mais velho acertando as contas com uma filha adulta (interpretada por KiKi Layne) que quer sua própria oportunidade de governar o reino. Ele corre de volta para Nova York com Semmi depois de saber que teve um filho (Jermaine Fowler) lá em sua primeira visita. Murphy e Hall reprisam vários de seus personagens coadjuvantes, acompanhados pelos antigos colegas de Um príncipe em Nova York James Earl Jones, Shari Headley e John Amos, além de recém-chegados à franquia como Wesley Snipes, Tracy Morgan e Leslie Jones.

 


O making of de Um príncipe em Nova York e sua sequência é uma história que abrange a amizade na vida real de Murphy e Hall, desde seu primeiro encontro como comediantes de stand-up até os dias atuais. Murphy e Hall se reuniram recentemente para uma entrevista em vídeo para falar da criação de Um príncipe em Nova York 2, da amizade deles e para provocar um ao outro como só bons amigos são capazes de fazer.

Estes são trechos editados dessa conversa.


 

Como vocês se conheceram?

EDDIE MURPHY: Quando começamos a fazer comédia, naquela época, devia haver, tipo, dez comediantes negros em todo o país, então todos se conheciam. Os comediantes passam muito tempo uns com os outros, então você entra em um grupo de pessoas que acredita serem engraçadas. Daqueles dez comediantes negros, havia quatro ou cinco dos quais nunca me tornei amigo. (Risos) Quando vim para cá (para Los Angeles), conheci Arsenio por meio de Keenen (Ivory Wayans).

ARSENIO HALL: Estávamos em pé, de frente para o Improv, Keenen me apresenta, eu aperto a mão de Eddie, conversamos um pouco e então descendo a rua estava Damon Wayans. Mas eu nunca o conheci. Keenen nos apresenta a Damon e ele está fazendo aquele personagem que Eddie o deixou fazer em algum momento em Um Tira da Pesada, o cara do hotel. Foi tão convincente que não ri porque não sabia se era real. Mas foi assim que ele conseguiu o papel em Um Tira da Pesada.


 

Eddie, o que despertou seu interesse na ideia de ver os EUA e Nova York pelos olhos deste príncipe africano, Akeem?

MURPHY: Foi no auge dos meus primeiros momentos de fama. Eu estava em turnê, tinha acabado de terminar um relacionamento com uma namorada e conversando no ônibus da turnê veio essa ideia de querer conhecer uma garota que não soubesse quem eu era e gostasse de mim por ser eu mesmo.


 

Arsenio, naquele ponto acho que sua única experiência em filmes era um esquete cômico em 'As Amazonas na Lua'. Como você se envolveu no filme original?

HALL: É engraçado, eu não era uma estrela de cinema, era um comediante de stand-up .

MURPHY: Na, nani, na, não. - ele também fez um episódio de O Jogo Perigoso do Amor. Ele está com uma dançarina de Soul Train chamada Damita Jo Freeman e eles interpretam um casal. Procurei em tudo que foi lugar. Procurei no YouTube, mas não consigo encontrar. Éramos amigos e sempre gosto de estar com algum outro comediante, para tornar o trabalho o mais engraçado possível. Há eu e Richard (Pryor em Os Donos da Noite), há eu e Arsenio, eu e Martin (Lawrence em Até que a Fuga os Separe). Eu não vou carregar a (palavrão) dessa bomba sozinho.

HALL: Mas é engraçado você mencionar As Amazonas na Lua - Eddie e eu estávamos andando por Manhattan em um novo Corvette branco que ele tinha comprado e Eddie diz que tínhamos que encontrar alguém para dirigir este filme. E lembro-me de dizer, bem, não vou ser de grande ajuda, porque só fiz um filme e foi com John Landis, chamado As Amazonas na Lua. E foi aí que tudo começou.

MURPHY: Você sabe o que é engraçado? John Landis me diz: “Você sabe quem é realmente engraçado? Arsenio Brown.” Eu fiquei tipo, “Arsenio Brown? Arsenio Hall.” "Ah, sim, Arsenio Hall." Até hoje, ele ainda se chama de Brown.

HALL: Acho que o reverendo Brown surgiu dessa piada.

MURPHY: Arsenio Brown! Na verdade, tem uma desculpa para isso. Arsenio Hall parece nome artístico, como se ele tivesse inventado. Arsenio Brown parece o nome de uma pessoa de verdade.


 

De quem foi a ideia de vocês interpretarem vários personagens no filme?

MURPHY: A ideia original do filme não tinha tantos personagens. Depois que John Landis se envolveu, ele sabia que eu era capaz de fazer o sotaque iídiche, então ele disse que isso seria hilário. Ele já havia trabalhado com (o especialista de maquiagem e efeitos especiais) Rick Baker antes, então ele estava tipo, Rick poderia fazer você parecer um velho judeu - isso seria hilário. E foi assim que tudo começou.


 

Suas carreiras seguiram direções muito diferentes depois de 'Um príncipe em Nova York'. Isso tornou difícil permanecer na vida um do outro?

MURPHY: Nunca houve um período em que não fomos amigos.

HALL: Podemos compartilhar experiências diferentes. Parte disso é estar confortável com quem você é e saber quem você é. Eu sou um comediante de stand-up e um cara que faz TV. Eddie é uma estrela de cinema. Mas nós compartilhamos nossas experiências um com o outro porque o ponto mais importante é que ambos nos sentimos confortáveis em nossa própria pele.


 

Por que vocês demoraram tanto para fazer uma sequência de 'Um príncipe em Nova York'?

MURPHY: Nunca pensamos em fazer uma sequência. A forma como a história terminou era tipo, “E eles viveram felizes para sempre”. Então todo esse tempo passou e o filme virou uma coisa cult. Os bordões do filme começam a fazer parte do vocabulário das pessoas. Lojas se transformando em McDowell's. Vejo Beyoncé e Jay-Z vestidos como os personagens Zamunda para o Halloween.

Então Ryan Coogler, antes de dirigir Pantera Negra, eu o encontro e ele diz, eu quero fazer uma sequência de Um príncipe em Nova York. Ele teve uma ideia para Michael B. Jordan interpretar meu filho e ele estaria em busca de uma esposa para meu personagem. Eu pensei, então o filme seria sobre o filho, não são os nossos personagens, já fizemos isso. Não deu certo.

Mas tudo isso me fez começar a pensar, talvez devêssemos fazer uma sequência. Eu vi o filme O Exterminador do Futuro, onde eles deixaram Arnold Schwarzenegger jovem - seu rosto parecia com o de Arnold, mas jovem - e foi aí que eu entendi. (Estala os dedos) Se usarmos isso para nos tornar mais jovens e criar uma nova cena no clube (do original Um príncipe em Nova York), onde estamos procurando por mulheres, então o filme faz parte daquela noite. Vou para casa com uma garota e estou chapado - essa era a peça de que precisávamos para iniciar a história.

HALL: Nunca havia pensado nisso porque sempre dissemos que deixaríamos Um Príncipe em Nova York quieto. Mas eu converso às vezes com ele por mensagem enquanto preparo meu café pela manhã, e ele me diz: "O que você está fazendo? Acho que você deveria ler este roteiro agora." E li metade sentado em seu quintal. Foi tão emocionante e tão bom.  


TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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