Raoul Ruiz abre a mostra competitiva de Cannes

Raoul Ruiz abriu ontem com Ce Jour-Là (Naquele Dia) a mostra competitiva do Festival de Cannes pela Palma de Ouro. Raoul é um inovador, intelectual, ousado na cabeça, clássico na forma. Um pensador europeu, embora de origem chilena. Contado, o filme parece trivial: uma garota meio maluquinha é herdeira de uma grande fortuna e a própria família trama sua morte para apoderar-se da grana.Financiado e filmado na Suíça, Ce Jour-Là trabalha com uma atmosfera de leve surrealismo, no qual o absurdo de situações vê-se incorporado com naturalidade pelos personagens.Em filigrana, esse noir futurista deixa escapar uma crítica aos valores materialistas e ao poder sem limites do Estado. Parece uma reflexão serena, de desencanto completo com o mundo atual. Na saída da sessão, os espectadores comentavam a excelência técnica de Ruiz. Os planos são de rigor absoluto. Se as imagens estivessem paradas, seriam pinturas. Os movimentos de câmera parecem rebuscados e calculados de forma milimétrica. Um show de bola em termos de cinema. No final, no entanto, os aplausos foram protocolares. O cerebralismo em excesso cobra seu preço em frieza. Sobra lucidez a Ruiz. Falta a ele um grão de loucura. Sem esse tempero, seu cinema não decola.Leia mais.

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