Ralph Fiennes interpreta Charles Dickens em novo filme

Britânico, que também é diretor de 'A Mulher Invisível', fala ao 'Estado' sobre a produção

Pedro Caiado, Especial para O Estado de S. Paulo / Londres

07 de março de 2014 | 20h39

"Não foi uma escolha consciente, me tornar diretor", diz o ator Ralph Fiennes, de 50 anos, em entrevista ao Estado, durante o Festival de Cinema de Londres. O britânico é educado e simpático mas, quando não está interpretando, não é muito extrovertido. É quase tímido. Em longa carreira, o ator alternou com sucesso blockbusters, comédias românticas, dramas intensos (que renderam a ele duas indicações ao Oscar) e atuação nos palcos, como Julio Cesar, Richard II e Hamlet. Sem dúvida, Ralph Fiennes tem uma das mais diversas e interessantes carreiras que qualquer outro ator na ativa atualmente.

Em seu novo filme, A Mulher Invisível, um drama de época que ele estrela e dirige, assuntos como amor, infidelidade e decepção são recorrentes. Fiennes interpreta uma figura complexa: o egocêntrico escritor inglês Charles Dickens em uma história que mostra um lado seu pouco conhecido. Dickens, uma instituição no Reino Unido, é conhecido pela criação de personagens como Oliver Twist e Scrooge. No longa, conhece Nelly (Felicity Jones), que se apaixona pelo autor no auge de sua carreira, mantendo um relacionamento secreto. O "invisível" do título parece se referir ao status da amante na vida do autor, assim como o da mulher Catherine e de sua mãe, vivida pela atriz Kristen Scott Thomas (de O Paciente Inglês).

Esta é a segunda vez em que o ator se aventura como diretor - a primeiro foi em Coriolanus, em 2011 - e ele defende que sua intenção era permanecer por detrás das câmeras dessa vez. "Mas o roteiro me surpreendeu. Fiquei tão comovido com a história. As emoções e dilemas são exatamente iguais à de qualquer relação íntima hoje em dia. Ele se tornou obsessivo", diz Fiennes, admitindo que não conhecia as obras de Charles Dickens. "Depois de pesquisar sobre ele para ajudar no roteiro, eu senti que tinha que interpretá-lo."

Sobre sua primeira vez atrás das câmeras, confessa. "Foi uma ideia louca. Coriolanus é uma história notoriamente difícil de adaptar. Produzir e conseguir dinheiro para financiar um filme de Shakespeare então é impossível. "Eu estou no início desse caminho. Eu sinto que há tanto para aprender na direção. Eu me preocupo com a composição das cenas, com a maneira que a câmera mostra os personagens", diz ele, que se dirige pela segunda vez. "A primeira vez que me dirigi foi provavelmente em uma fita teste que fiz para o Steven Spielberg. Ele veio à Londres me encontrar e me pediu para fazer um teste de câmera, e foi assim que eu consegui o papel de A Lista de Schindler."

Colegas. Fiennes trabalhou com uma variedade impressionante de diretores, de Anthony Minghella e Spielberg a Fernando Meirelles. "Em O Jardineiro Fiel, quando Meirelles chegou ao projeto, eu já estava trabalhando, procurando por locações com o produtor. Felizmente, ele abraçou a minha participação na produção. Foi naquela época que comecei a pensar em dirigir", revela.

O ator se empolga em detalhar a experiência com os principais diretores com os quais trabalhou. "O Spielberg tem um energia verbal forte, era muito específico em relação à gesticulação e a fisicalidade", diz. "Às vezes, os atores acham que os diretores tomam conta das cenas, sem deixar espaço, mas o Spielberg não é um deles", diz. "Em O Paciente Inglês, Anthony Minghella tinha uma abordagem calma, precisa e cheia de cuidado para sugerir ideias e acho que é importante. Diretores tem de ser sensíveis com atores", diz ele, revelando abordagem similar. Haveria diferença de trabalhar com diretores que também são autores das histórias? "Eu lembro que uma vez o Minghella me chamou a atenção. Ele me elogiou após uma cena e logo depois disse: agora faça da minha maneira."

Fiennes está no auge de sua carreira. Está filmando a peça do escritor russo Ivan Turgueniev, Two Woman, e substituirá Dame Judi Dench como M no próximo filme de James Bond. Seu novo filme como ator, Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson, estreia em abril, após ter sido exibido no Festival de Berlim. Entretanto, ele confessa que está nos palcos a sua verdadeira paixão. "Eu adoro estar em frente do público. Apresentar-se ao vivo é a verdadeira paixão para o ator."

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