Querida Wendy discute fetichismo das armas

Poderia ser ascensão, queda e ressurreição de um diretor. Em pouquíssimo tempo, Thomas Vinterberg conheceu os limites do sucesso e do fracasso. Oprimeiro veio, instantaneamente, com Festa de Família, manifesto do Dogma que atualizava as angústias e os dilemas existenciais de Hamlet. Cooptado pelos americanos, Vinterbergfoi fazer seu primeiro filme em inglês. O resultado foi um desastre, mas ele jura que aprendeu muito com O Dogma do Amor.Talvez tenha aprendido principalmente que é necessário selecionar melhor o material que vai filmar. No caso de QueridaWendy, Vinterberg foi escolhido. Renasceu. Lars Von Trier escreveu o roteiro que, depois, abandonou para se concentrar noprojeto de Manderlay.Thomas Vinterberg conta que se não fosse diretor, poderia ser ator, quem sabe astro, em Hollywood. É alto, jovem, bonitão. Sabe o efeito que provoca nas mulheres. Vinterberg tem 36 anos (nasceu em 1969). Possui dois mentores - um deles é Lars Von Trier; o outro, seu pai, umprestigiado crítico de cinema da Dinamarca.Querida Wendy conta a história desse garoto solitário, Dick, que vive na cidade de Estherslope, tão minimal que parece queVinterberg simplesmente levantou as paredes, mas manteve o conceito do arcabouço dramático desnudo de Dogville e Manderlay.Dick é interpretado por Jamie Bell, que, caso você não se lembre foi o garoto do cultuado Billy Elliott. Lembra do garoto quequeria ser bailarino, enquanto o pai esperava que ele fosse jogador de futebol? Jamie, agora, é Dick, esse pacifista que termina se ligando a uma arma, um revólver ao qual chama, carinhosamente, de Wendy e que acaricia como se fosse uma mulher. Dick forma um grupo de garotos (e garotas) armados, os Dandies. Tentam todos conciliar os dois princípios conflitantesdas armas e do pacifismo. O nome do revólver, a relação visceral que o garoto desenvolve com ele, tudo isso aponta numa direção psicanalítica. Vinterberg sabe quem é Arthur Penn, o grande diretor americanoque, nos anos 1950 e 60, fazia filmes como "Um de Nós Morrerá", sobre Billy the Kid, e Bonnie & Clyde, nos quais o revólver vira substituto do sexo e devolve a potência a personagensbasicamente impotentes. Ele acha esses filmes interessantes, mas diz que não é o caso de Querida Wendy.O filme trata do fetichismo das armas e trata dedesmontar alguns estereótipos. Os garotos se auto-intitulam dândis. Não são brucutus. Seu mandamento é não sacar da arma contra ninguém. Todas essas contradições vão aflorar, e de formabrutal. Embora supostamente desenrolado nos EUA (e falado em inglês), o filme não é antiamericano. "Lars diz que serantiamericano por ser é idiota. Os EUA são um grande país. Há mais diversidade racial e cultural na América, mesmo com todopreconceito, do que jamais haverá na Dinamarca. Mas os EUA viraram um país armado. O mundo todo está se armando. É preciso criticar a tendência. "Querida Wendy" é a nossa, a minhacontribuição."Querida Wendy - (Din-Fr-Ale-Ing/2005, 105 min). Drama. Dir. Thomas Vinterberg. 16 anos. Cineclube Vitrine 1 - 14h, 16h, 18h,20h, 22h. Espaço Unibanco 2 - 15h30, 17h30, 19h30, 21h30. HSBCBelas Artes/C. Portinari - 15h, 17h, 19h, 21h. Reserva Cultural2- 14h, 16h, 18h, 20h, 22h. Unibanco Arteplex 4 - 16h, 18h, 20h,22h (sáb. também 0h). Cotação: Bom.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.