Ben Curtis/AP
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Quênia proíbe filme sobre romance lésbico que estreará em Cannes

'Nossa cultura e leis reconhecem a família como a unidade básica da sociedade', disse o Conselho de Classificação Cinematográfica do país

Reuters

27 Abril 2018 | 17h37

NAIRÓBI - As autoridades do Quênia proibiram a exibição de um filme que conta a história de amor entre duas mulheres alegando que o longa incentiva o lesbianismo.

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Rafiki foi convidado nesta semana a estrear no Festival Internacional de Cinema de Cannes no mês que vem - o primeiro filme queniano a receber tal convite.

O Conselho de Classificação Cinematográfica do Quênia anunciou o veto nesta sexta-feira, 27, e disse em um tuíte: "Qualquer um que seja encontrado com sua posse estará violando a lei", uma referência a uma lei dos tempos coloniais segundo a qual o sexo homossexual é punível com até 14 anos de prisão.

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A porta-voz do conselho, Nelly Muluka, tuitou: "Nossa cultura e leis reconhecem a família como a unidade básica da sociedade. O (conselho) não pode, portanto, permitir que conteúdo lésbico seja acessado por crianças no Quênia".

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A diretora de Rafiki, Wanuri Kahiu, disse: “Estou realmente decepcionada, porque os quenianos já têm acesso a filmes com conteúdo LGBT no Netflix e em filmes internacionais exibidos no Quênia e permitidos pelo próprio conselho de classificação”.

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“Então proibir só um filme queniano porque ele lida com algo que já acontece na sociedade parece simplesmente uma contradição”, disse ela à Reuters.

A interdição representa uma reversão de posição do conselho, cujo presidente, Ezekiel Mutua, havia elogiado o filme no início deste mês.

“É uma história sobre as realidades de nosso tempo e os desafios que nossas crianças estão enfrentando, especialmente com sua sexualidade”, disse ele à rádio HOT 96 FM.

 

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