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Quemada-Díez e a humanidade de seus jovens imigrantes

Diretor de 'La Jaula de Oro' diz das histórias que ouviu de migrantes reais

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2013 | 17h11

Diego Quemada-Díez diz que La Jaula de Oro começou a nascer quando era pequeno. “Minha mãe era espanhola, eu sou espanhol naturalizado mexicano, e ela viajava muito para participar de atividades missionárias no México e na Guatemala. Contava-me histórias que foram se amalgamando no meu imaginário.” O longa pré-selecionado pelo público para concorrer ao Troféu Bandeira Paulista – que será outorgado amanhã pelo júri internacional – terá sessões hoje e na repescagem.

La Jaula de Oro mostra jovens guatemaltecas que caem na estrada atraídos pelo sonho de emigrar para os EUA. O filme segue a trajetória deles ‘on the road’. Trata de diferenças culturais. E é, como se diz, um filme ‘de processo’. Fala o diretor – “Ouvi essas histórias dos próprios imigrantes. Todas são reais, mesmo que a obra seja de ficção.” Quemada-Díez, que foi assistente de Fernando Meirelles, cita o eterno parceiro do brasileiro, o fotógrafo César Charlone, que fala num neoneorrealismo. O tradicional, aquele que floresceu no cinema italiano após a 2.ª Grande Guerra, faz parte das referências que inspiram Quemada-Díez.

Ele ama Roberto Rossellini e Vittorio De Sica, mas sabe que ficaria datado tentar filmar como eles. De qualquer maneira, não embeleza suas histórias. “Desde o começo, o conceito do filme era não carregar no visual. Os personagens têm de ser maiores que isso. La Jaula não visa os olhos, mas o coração. Se eu fizer com que os norte-americanos ou pessoas de quaisquer nacionalidades olhem os migrantes como seres humanos, terei atingido meu objetivo.”

Sua mãe, que morreu há muito tempo, teria gostado, o repórter arrisca. Ele concorda – “Já sonhei que ela me dava sua aprovação ao filme.” Acompanhando dois personagens, um índio e um vaqueiro, o longa foi feito cronologicamente, com oficinas ao longo do caminho. O elenco foi agraciado com um prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes. A excelência deve-se, também, a uma contribuição brasileira. Fátima Toledo fez a preparação de elenco. “Os produtores não entendiam porque eu a queria tanto. Diziam que isso ia encarecer o filme, mas, desde que a conheci, tenho imenso respeito por ela.”

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