Quem são os atores e atrizes indicados para o Oscar

Confira a lista dos concorrentes principais e seus coadjuvantes; veja galeria de fotos

Gayden Wren, NYT

23 de fevereiro de 2016 | 11h48

Todo ano, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas indica vinte atores e atrizes para disputar sua honraria máxima: o Oscar.

Para alguns, o reconhecimento terá um efeito instantâneo na carreira: veja o caso de Jennifer Lawrence, uma desconhecida completa há cinco anos, quando foi indicada a Melhor Atriz por Inverno da Alma (2010) e, desde então, passou a ser estrela absoluta; para outros, será apenas um momento passageiro: a indicação a Melhor Coadjuvante por O Lutador (2008) deveria marcar a ressurreição de Mickey Rourke, mas, desde então, ele mergulhou na semi-obscuridade. Há também aqueles para quem a coisa já virou rotina: será que Meryl Streep ainda conta todas as indicações que continua recebendo?

Quaisquer que sejam os resultados, a premiação promete a todos eles um mês do qual não se esquecerão tão cedo – e, para um de cada categoria, o prelúdio à versão cinematográfica da imortalidade.

Assim sendo, senhoras e senhores, com vocês, os indicados de 2016. 

Melhor Ator

Bryan Cranston

Quem é: Ele ficou famoso com Hal, o pai atrapalhado de Malcolm in the Middle (2000-2006); depois optou pelo lado mais sombrio como Walter White em Breaking Bad (2008-2013). Este ano Cranston se consagrou na Broadway, na pele do presidente Lyndon B. Johnson em All the Way e, na telona, encarnando o roteirista censurado Dalton Trumbo em Trumbo: Lista Negra.

Não perca: Breaking Bad ousou por apostar em um herói pouco simpático e provocar o público, forçando-o a torcer por um homem que de agradável não tinha nada – e o desempenho de Cranston foi tão bom que foi exatamente o que aconteceu.

Outros trabalhos: Agora que sabemos que Hal é resultado de um desempenho para lá de minucioso, Malcolm in the Middle vale mais ainda uma nova espiada. No cinema, Cranston interpretou um investigador de polícia tenso no subestimado O Poder e a Lei (2011).

Matt Damon

Quem é: Já tendo ganhado um Oscar como coautor de Gênio Indomável (1997), Damon surpreendeu a crítica ao se tornar um astro do cinema, mais convencionalmente que o melhor amigo e parceiro de trabalho, além de mais bonito, Ben Affleck. E isso se deu, em parte, por estrelar a franquia de Jason Bourne e também por fazer questão de trabalhar com diretores como Clint Eastwood, Terry Gilliam, Martin Scorsese, Kevin Smith, Stephen Soderbergh e Gus Van Sant. Em Perdido em Marte a parceria é com o veterano Ridley Scott – e o resultado é uma oportunidade perfeita para mostrar sua capacidade de interpretação, tão subestimada, já que passa a maior parte do filme totalmente sozinho no planeta deserto.

Não perca: Os Infiltrados (2006), de Scorsese, no qual Damon interpreta um informante da máfia dentro da polícia com uma atuação que não deixa nada a dever a Leonardo DiCaprio e Jack Nicholson.

Outros trabalhos: Damon e Affleck levam o bom humor da vida real para a tela – e os limites da Teologia – no melhor filme de Smith, Dogma (1999). O melhor dos filmes da franquia Bourne, até agora, é o segundo, o eletrizante A Supremacia Bourne (2004).

Leonardo DiCaprio

Quem é: O desempenho de DiCaprio em O Regresso é um suplício para o personagem e o ator, que se dispôs a uma série de desafios penosos – e, cá entre nós, comer o fígado cru de um animal é, sim, tão difícil quanto fazer uma perseguição em alta velocidade. A essa altura já é clichê dizer que o ex-ator mirim e ídolo de Titanic (1997) se estabeleceu como talvez o melhor ator de sua geração.

Não perca: O desempenho versátil de DiCaprio como o trambiqueiro Frank Abagnale em Prenda-me Se For Capaz (2002) é uma verdadeira aula de atuação, pois consegue revelar com sutileza o verdadeiro personagem em meio a todos os disfarces a que esse recorre.

Outros trabalhos: As melhores parcerias de DiCaprio com o diretor Martin Scorsese: Gangues de Nova York (2002), O Aviador (2004), Os Infiltrados (2008) e O Lobo de Wall Street (2014), por mais diferentes que sejam uns dos outros, provam que o ex-pirralho de Growing Pains (1991-1992) é realmente um homem de várias facetas.

Michael Fassbender

Quem é: O alemão/irlandês despontou do nada, aos 35 anos, como um viciado em sexo em Shame (2011) e, desde então, se firmou como um dos atores mais admirados de Hollywood. Seu desempenho como o personagem-título em Steve Jobs é ao mesmo tempo charmoso e assustador, bem parecido com a atitude do próprio chefão da Apple, e lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar.

Não perca: A atuação bizarra de Fassbender como o Tenente Archie Hicox em Bastardos Inglórios (2009), de Quentin Tarantino, se destaca em um elenco estrelado que inclui Brad Pitt e o oscarizado Christoph Waltz.

Outros trabalhos: Sua primeira indicação ao Oscar saiu de seu trabalho como o dono de escravos sádico de Doze Anos de Escravidão (2013). Antes disso, Fassbender, longe de sua exuberância característica, deu um show de interpretação contida como Jung em Um Método Perigoso (2011), em contraponto com o Sigmund Freud de Viggo Mortensen.

Eddie Redmayne

Quem é: Apesar de chamar a atenção em Os Miseráveis (2012), Redmayne era ainda praticamente um desconhecido para a maior parte do público quando faturou um Oscar por sua interpretação do físico deficiente Stephen Hawking em A Teoria de Tudo (2014). E prova que sua vitória não foi um golpe de sorte em A Garota Dinamarquesa, baseado em fatos reais, no qual encarna um jovem artista cuja ideia que tem de si mesmo e de sua sexualidade viram de cabeça para baixo em uma sucessão surpreendente de eventos.

Não perca: Poucos papéis representam tantos desafios quanto o de Stephen Hawking em A Teoria de Tudo: não só o personagem passa quase o filme todo praticamente paralisado, como sua principal atividade é... pensar, ou seja, uma das menos óbvias em termos cinematográficos. Apesar disso, a interpretação de Redmayne é um show de expressividade, mesmo já quase no fim do filme, quando o estado de Hawking se agrava e ele fica praticamente imóvel.

Outros trabalhos: Totalmente oposto ao estático Hawking é o dinâmico Marius em Os Miseráveis (2012). Cantando com voz forte e clara, Redmayne enche a tela como o jovem líder rebelde e idealista. Exibe também um talento impressionante para a comédia em Sete Dias com Marilyn (2011), ao lado de Michelle Williams no papel-título.

Melhor Atriz

Cate Blanchett

Quem é: Meryl Streep de sua geração, aos 46 anos, Cate parece estar sempre na disputa pelo Oscar, para o qual já tem sete indicações – e duas vitórias, como Melhor Atriz por Blue Jasmine (2013) e Melhor Coadjuvante por O Aviador (2004). Em seu trabalho mais recente, Carol, de Todd Haynes, encarna uma lésbica descolada e sardônica lutando por sua identidade na Nova York dos anos 50.

Não perca: Elizabeth (1998), no qual Cate interpreta a jovem Elizabeth I e sua lenta transformação na poderosa Rainha Virgem, até hoje é um de seus trabalhos mais sólidos.

Outros trabalhos: Seu desempenho oscarizado como uma maliciosa Katharine Hepburn é um verdadeiro presente em O Aviador, de Martin Scorsese, filme que retrata o bilionário excêntrico Howard Hughes e sua vida na Hollywood dos anos 30 e 40. Em Notas Sobre Um Escândalo (2006), ela está brilhante na pele da professora que vê a carreira destruída ao se apaixonar por um aluno.

Brie Larson

Quem é: Uma coisa é certa: não há perigo de o cenário desviar a atenção da atuação sensacional de Brie em O Quarto de Jack, já que ela passa grande parte do filme em um único cômodo do tamanho de um barracão de jardim. Seu trabalho na pele de uma mulher abduzida que cria o filho em cativeiro fez dela uma das primeiras favoritas ao Oscar de Melhor Atriz, posição que ainda ocupa.

Não perca: Temporário 12 (2013) mais ou menos define a ideia do independente de orçamento apertado, tendo sido feito com pouquíssima verba e um elenco de desconhecidos. O trabalho de Brie como assistente social problemática em um lar que acolhe crianças órfãs, porém, chamou a atenção de Hollywood, apesar de o filme ser pequeno.

Outros trabalhos: A carreira da atriz ganhou impulso em 2013, não só por protagonizar Temporário 12, mas pelos papéis secundários em duas produções de grandes estúdios: Como Não Perder Essa Mulher, no qual interpreta a irmã sarcástica de Joseph Gordon-Levitt, e O Maravilhoso Agora.

Jennifer Lawrence

Quem é: Com apenas 25 anos, Jennifer saiu da total obscuridade para se tornar parte do alto escalão de Hollywood em questão de dois anos. Seu desempenho como uma dona de casa que tem uma ideia deu brilho a Joy: O Nome do Sucesso, de David O. Russell, e lhe rendeu a quarta indicação ao Oscar em cinco anos.

Não perca: Seu desempenho em Inverno da Alma (2010) como uma adolescente que luta para manter a família unida enfrentando pobreza, doença mental e o vício em drogas lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar e a levou ao estrelato.

Outros trabalhos: A jovem é mais conhecida, é claro, como estrela de Jogos Vorazes (2012), na qual encarna Katniss Everdeen, e suas sequências. Faturou a primeira estatueta como Melhor Atriz pelo desempenho na pele de uma mulher problemática que tenta engatar um romance com um cara que se recupera de problemas mentais (Bradley Cooper) em O Lado Bom da Vida (2012), de David O. Russell.

Charlotte Rampling

Quem é: Ela não é exatamente a atriz padrão que costumamos ver atuando em dramas tradicionais e retratos suntuosos de época. Filha de um funcionário da Otan, ela foi criada na França, onde até hoje tem uma casa – e pode ser responsável por sua exuberância nada britânica. Seu desempenho em 45 Anos como a mulher cujo casamento de 45 anos é ameaçado pelo passado do marido é forte e engraçado porque capta as duas metades de sua ascendência, o senso interno de controle e as demonstrações emocionais que o neutralizam.

Não perca: Charlotte tinha 57 anos quando estrelou Swimming Pool - À Beira da Piscina (2003), um filme mais sensual do que muitas atrizes de trinta conseguiriam fazer. Ludivine Sagnier sem dúvida está deslumbrante, mas é a britânica que se destaca como uma escritora reprimida que descobre uma nova perspectiva de vida durante as férias na França.

Outros trabalhos: Encarna a mãe durona de Keira Knightley em A Duquesa (2008) e a mulher que desmorona com o desaparecimento do marido em Sous Le Sable (2000).

Saoirse Ronan

Quem é: Com a chance de interpretar uma personagem irlandesa, Saoirse se deu bem em Brooklyn: na pele de Eilis, uma imigrante calada, mas obstinada que chega ao Brooklyn, nos anos 50, tem um desempenho sutil e cheio de nuances.

Não perca: Em Um Olhar do Paraíso (2009), Susie Salmon (Ronan), estuprada e morta, narra o filme de um lugar semelhante ao Paraíso e é presença constante. Com treze anos na época, a atriz lida com um conceito que poderia ser um dramalhão meloso e faz o filme funcionar.

Outros trabalhos: Saoirse está perfeita como a caçula emburrada e incompreensiva que causa uma tragédia em Desejo e Reparação (2007) e canta uma música inesquecível sobre Britney Spears em Nunca É Tarde Para Amar (2007).

Elenco de apoio:

Melhor Ator Coadjuvante

Se você gostou de Christian Bale em A Grande Aposta, dê uma espiada em seu trabalho primoroso como um ex-boxeador viciado em O Vencedor (2010) ou seu Bruce Wayne determinado em Batman Begins (2005).

Se você gostou de Tom Hardy em O Regresso, veja seu desempenho surpreendentemente sutil como um policial soviético obstinado em Crimes Ocultos (2015) e o produtor clandestino de bebidas monossilábico de Os Infratores (2012).

Se você gostou de Mark Ruffalo em Spotlight - Segredos Revelados, confira o desempenho que o fez ser descoberto em Conte Comigo (2000) ou o papel de homem perfeito no engraçado De Repente 30 (2004).

Se você gostou de Mark Rylance em Ponte dos Espiões, saiba que seu trabalho anterior foi no palco. Porém, o público televisivo adorou sua atuação como Thomas Cromwell em Wolf Hall; além disso, ele fez do covarde e politicamente inepto Sir Thomas Boleyn uma figura memorável em A Outra (2008).

Se você gostou de Sylvester Stallone em Creed - Nascido Para Lutar, bom, com certeza você já deve ter visto Rocky: Um Lutador (1976), papel que o tornou famoso e lhe moldou a carreira. Seu melhor trabalho depois disso foi em Cidade de Tiras (1997), na pele de um xerife suburbano envolvido com o crime da cidade grande.

Melhor Atriz Coadjuvante

Se você gostou de Jennifer Jason Leigh em Os Oito Odiados, vale a pena ver seu desempenho como a herdeira dividida entre o amor e o dever em A Herdeira (1997) e como a filha problemática da protagonista de Eclipse Total (1995).

Se você gostou de Rooney Mara em Carol, dê uma olhada em sua atuação como a intratável Lisbeth Salander em Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (2011) e em A Rede Social (2010) como Erica Albright, cujo rompimento com Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) o estimula a criar o Facebook.

Se você gostou de Rachel McAdams em Spotlight - Segredos Revelados, deve assistir também a Meninas Malvadas (2004), na qual interpreta a pior delas, e ao romântico Te Amarei Para Sempre (2009).

Se você gostou de Alicia Vikander em Ex-Machina: Instinto Artificial, seus outros dois filmes de 2015, O Agente da U.N.C.L.E.  e A Garota Dinamarquesa, oferecem provas mais que convincentes de seu talento e versatilidade.

Se você gostou de Kate Winslet em Steve Jobs, não perca sua interpretação como a dona de casa suburbana frustrada em Pecados Íntimos (2006) ou a instável Clementine em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004).

 

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