'Quem Quer Ser um Milionário' não é clichê, diz autor indiano

Há uma ironia por trás das queixas de que o filme candidato ao Oscar "Quem Quer Ser um Milionário" recicla clichês sobre a Índia: o longa é baseado no livro de um autor que não é somente indiano, mas também um importante embaixador do país. Vikas Swarup, cujo romance "Q&A" se tornou base para o drama do diretor inglês Danny Boyle sobre um jovem de uma favela de Mumbai, é também um importante representante da Índia junto à África do Sul. Swarup escreveu o romance no final de sua temporada diplomática em Londres. Um pouco como o protagonista de seu livro, que deixa a obscuridade para se tornar um milionário, ele virou uma celebridade por acidente, e parece um pouco chocado com o sucesso do filme. "Ainda parece um conto de fadas", disse ele à Reuters numa entrevista em sua casa, em Pretória, tranquilo em um sofá marrom, horas antes de embarcar para Los Angeles para acompanhar a cerimônia do Oscar, que acontece no domingo. "Quem poderia imaginar que um livro que eu escrevi como brincadeira em 2003 um dia se tornaria um filme de megasucesso?" A equipe de Boyle alterou o nome do protagonista do livro de Swarup, o final da história, a tese central em torno da sorte e destino e o título -- optando por algo que o autor classifica como mais chamativo, mas também provocativo. "Quem Quer Ser um Milionário" aborreceu algumas pessoas na Índia, que dizem que o nome original (Slumdog Millionaire) é ofensivo pela palavra "cão". O filme, sobre um morador de uma favela que vence um programa de perguntas na TV, também é visto como mais um estereótipo ocidental sobre o país. Mas Swarup, um diplomata importante e talvez empolgado pelas 10 nomeações do filme ao Oscar, é cuidadoso em não se queixar. "Acho que Danny dá a sensibilidade de um estrangeiro ao filme, mas incluindo respeito e empatia pelas pessoas de Mumbai, e pela cidade em si", afirmou. (Reportagem de Rebecca Harrison)

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