Quatro filmes que exemplificam a influência do teatro no cinema

Desde os primórdios da sétima arte, grandes diretores se inspiraram nos palcos e criaram uma linguagem híbrida

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 03h00

Cinema e teatro – desde os primórdios, lá atrás, nas origens da chamada “sétima arte”, o teatro, como a literatura, foi uma importante fonte de inspiração. Grandes autores, como Luchino Visconti e Ingmar Bergman, desenvolveram carreiras nas duas mídias, alternando obras para o palco e a tela. Visconti dizia que todos os seus filmes tinham algo de teatro, e todas as montagens, muito de cinema. Em tempos de isolamento social, pode-se revisar um pouco dessa parceria. E mais. Os autores que realmente inovaram, na tentativa de criação de uma linguagem... Híbrida das duas artes?

Tio Vânia em Nova York

O último longa de Louis Malle, de 1994. Ele morreu no ano seguinte – há 25 anos. Um grupo ensaia a peça de Chekhov, em Nova York. Os dramas do elenco misturam-se aos dos personagens em momentos encenados da obra teatral. Teatro, cinema, realidade, ficção. Um filme nas bordas. Do elenco participam Wallace Shawn e, olha ela aí, Julianne Moore. 

No streaming do Belas Artes. 

Moscou

Na sequência de Jogo de Cena, de 2007, Eduardo Coutinho fez, dois anos depois, esse outro documentário que acompanha o Grupo mineiro Galpão, nos ensaios de outra peça de Chekhov, As Três Irmãs. Workshops, ensaios, improvisações. E o que emerge disso tudo é uma história muito íntima do grupo. Os efeitos de uma morte que a todos atingiu.

Na Amazon e na plataforma do Canal Curta!

Doze Homens e Uma Sentença

A estreia de Sidney Lumet no cinema, ele que já dirigira a teleplay de Reginald Rose na TV. A peça foi montada em São Paulo por Eduardo Tolentino. O filme é um clássico. O júri reúne-se para julgar jovem suspeito de assassinato. Onze votam pela condenação sumária, e aí o 12.º (Henry Fonda) começa a levantar dúvidas. Termina por reverter a situação. Uma aula emocionante de cinema – e democracia. Também com Martin Balsam, Lee J. Cobb, Ed Begley, Jack Klugman.

Na TV paga e no Cineclube Cinematório.

O Beijo no Asfalto

A estreia do ator Murilo Benício na direção. Atores fazem o trabalho de mesa, lendo e comentando a peça de Nelson Rodrigues. Cenas importantes são encenadas na rua, com todo realismo. Grande elenco – Lázaro Ramos, Débora Falabella, Stênio Garcia, Fernanda Montenegro e o diretor Amir Haddad. Na vertente de Malle, um filme fora de série, uma bela revelação de diretor.

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