"Quartos do pânico" existem de verdade

Os ?quartos do pânico? a que se refere o título do filme com Jodie Foster , que estréia no Brasil nesta sexta-feira, existem de verdade. São esconderijos que milionários constroem nas próprias casas. O problema é que levantar informações sobre a indústria da segurança nos Estados Unidos é um processo delicado. Descobrir detalhes sobre o funcionamento de "quartos do pânico" de verdade, então, é quase uma missão impossível. Ainda assim, o dono de uma das maiores empresas de segurança dos Estados Unidos, Karl Alizade, concordou em falar com a Planet Pop porque "gostou do filme e adora o Brasil". O ex-policial, que há 20 anos abriu a SafeCity, em New Jersey, para aplicar seu conhecimento em assaltos e seqüestros, comentou vários detalhes do novo filme de Jodie Foster. A "fábrica" de quartos de segurança é especializada em cofres e portas especiais. Em um galpão a uma hora e meia de Manhattan, eles fazem, sob medida, estruturas sob encomenda, mas passam boa parte do tempo testando novos materiais e sistemas, baseados em cofres arrombados em diversas partes do mundo. A SafeCity desenvolve "panic rooms" para clientes de altíssimo nível (em geral donos e altos executivos dos bancos que já usam os serviços deles para suas caixas-fortes) em vários países do mundo. A inclusão de um local seguro em mansões e até escritórios não é um capricho de milionários paranóicos, mas muitas vezes uma exigência das companhias de seguro que protegem a pessoa. Cada um dos projetos custa pelo menos US$ 400 mil, fora a parte eletrônica (câmeras, monitores, interfones, etc.) e demora cerca de seis meses para ficar pronto, sendo instalados sempre no fim da construção, depois que todos os pedreiros já deixaram a obra. "O filme é bem exato, provavelmente para a época em que foi concebido", diz Alizade, levando em consideração que a produção começou há cerca de dois anos. "Hoje já existem soluções um pouco mais modernas e seguras." Ele aponta, por exemplo, que as portas mecânicas são preferidas atualmente, já que as eletrônicas podem falhar na hora certa. Por preocupações estéticas, as câmeras (a cada ano menores) ficam escondidas ? impedindo que sejam destruídas pelos invasores. Uma das maiores diferenças apontadas pelo especialista (que foi consultado também pelo estúdio Columbia Pictures na fase de divulgação do filme) é quanto ao personagem de Forest Whitacker, que, na trama, tem conhecimento de todos os aspectos do funcionamento do "panic room". "Na prática isso é impossível, já que trabalhamos com uma equipe e o profissional que começa um projeto nunca o termina", diz ele. "O especialista em eletrônica não tem contato com a parte mecânica, por exemplo." Todos os envolvidos assinam contratos que os obrigam ao sigilo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.