Quarto episódio de Transformers teve a maior abertura do ano

Máquinas, efeitos e um toque de humanidade no novo filme de Michael Bay

Luiz Carlos Merten, Rio - O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 02h00

Michael Bay trouxe seu elenco jovem para a première brasileira de Transformers 4 – A Era da Extinção. O tapete vermelho ocorreu quarta à noite no complexo Lagoon. O diretor disse que tão logo a cúpula da Paramount começou a organizar a turnê de lançamento, ele priorizou o Rio como uma das cidades à qual queria voltar – já esteve aqui com o Transformers anterior, O Lado Escuro da Lua. “It’s a gorgeous city”, É uma cidade linda, definiu. Ele confirmou que A Era da Extinção inicia uma nova trilogia da franquia. Sai de cena Shia LaBeouf, o adolescente dos três primeiros filmes, e entra Mark Wahlberg como um inventor desastrado, espécie de Professor Pardal para o século 21. Chama-se Code Yeager e tem uma filha adolescente.

Nada do que papai faz dá certo. Até que, num cinema em ruínas, ele encontra um caminhão – sim, um caminhão, no meio dos destroços da plateia. É Optimus Prime, que deixou de ser, com seus Autobots, um aliado dos humanos e virou alvo de uma caçada de transformers do mal, parceiros de gente sem escrúpulos. Os críticos reclamam do gosto de Michael Bay por sequências e efeitos, mas algo esses transformers têm para mobilizar tanta gente, em todo o mundo. Transformers teve a maior abertura do ano nos EUA. Num único fim de semana, faturou US$ 100 milhões. Abrindo no mesmo dia na China, teve a maior abertura da história do cinema no país, US$ 95 milhões. Em todo o mundo, e abriu ontem em mais da metade dos mercados mundiais, já faturou mais de meio bilhão de dólares.

No Brasil, somente nas pré-estreias pagas, já foi visto por 1,6 milhão de espectadores. E entrou na quinta-feira, 17, em 1.100 salas, ocupando maciçamente o mercado. OK, a publicidade já criou a necessidade de o espectador ver Transformers 4 para fazer parte deste mundo, mas se o filme não satisfizesse a expectativa o castelo já teria ruído. Para Michael Bay, numa entrevista realizada no Copacabana Palace, a técnica é essencial na franquia. “Desde que fizemos o primeiro Transformers, as câmeras digitais e o 3D evoluíram muito, mas isso não facilita as coisas. Pelo contrário, aumenta o desafio de fazer mais e mais, e de ser mais realista.” Mas isso, segundo ele, é só meia explicação. “É uma história de família, e é um tema universal, que interessa a todo o mundo.”

Ao tomar as decisão de ajudar Optimus Prime e seus Autobots, Code coloca a família, isto é, a filhona, em perigo. Ela tem um namorado, Duane, e papai passa o filme brigando com robôs malignos e tentando evitar que o garanhão ponha as mãos na sua menina. Ele é Jack Reynor, ela, Nicola Peltz. Embora a moça já tenha participado da série Bates Motel – e ela morre, vítima do sinistro Norman Bates, é bom que se diga –, impressiona muito mais que ela é herdeira de uma das famílias mais ricas dos EUA. Uma bilionária. Reynor veio da produção independente. Jura que não se impressionou com o cinema em escala gigantesca de Michael Bay. “Faço filmes pensando em minha família e meus amigos, que compõem um grupo bem pequeno.” E eles gostaram? “Muito.” Reynor e Nicola confirmam o que Mark Wahlberg já disse para o repórter: “Antes mesmo de iniciar a filmagem, Michael já tem o filme pronto na cabeça. Ele administra tudo com a consciência de quem sabe o que quer, como quer”.

Considerando-se que os críticos o acusam de estar destruindo cinema com sequências e efeitos, o que faz Michael Bay? Ele cita, no velho cinema em ruínas, um clássico de Howard Hawks, com John Wayne – Eldorado, que já era, vale lembrar, meio sequência, meio remake, um filme integrado a uma série. E quando Optimus parte em busca dos Autobots, onde foi que eles se esconderam? Em Monument Valley, onde John Ford filmou seus grandes westerns. Michael Bay, o arauto da tecnologia e do cinema fliperama, um adepto da tradição? “John Ford é o cineasta que mais admiro”, ele confessa. Outra pergunta inevitável – nós, espectadores, devemos ser muito moleques para acreditar que máquinas, os Transformers, possam ter alma.

Máquinas não representam. Às vezes, nem atores representam – os canastrões. Como é possível humanizar uma máquina e fazer o espectador acreditar que Optimus e seus Autobots tenham sentimentos? “Esse filme mobilizou uma equipe gigantesca. Cerca de 4 mil pessoas. Muitos desses artistas e técnicos trabalhavam somente nisso. Como se cria a expressão dessas máquinas? Você não tem ideia de como é difícil criar os olhos de nossos transformers. E não só os olhos. O espectador identifica um certo número de expressões, e é nelas que trabalhamos para esse efeito que você identifica.” 

Bay só sai do sério quando o repórter cita os críticos que o acusam de estar destruindo o cinema. O cinema como expressão do humanismo, bem-entendido. “Como posso estar destruindo o cinema se, na verdade, o estou salvando, com todo esse público que vê Transformers?”

É um autor – o tema da família o persegue, e não é de hoje. Em Armageddon, Bruce Willis lidera um grupo de astronautas que precisa destruir meteoro em rota de colisão com a Terra. Tão importante como salvar a Terra é, para Willis, aceitar que Liv Tyler está tendo um romance com Ben Affleck, que integra o grupo. Não há nada que papai queira mais que ser um herói aos olhos da filha, como Mark Wahlberg em Transformers 4. “Está vendo?”, Michael Bay concorda com o repórter. Mesmo em escala gigantesca, seu cinema não deixa de se preocupar com a humanidade. E é isso que, no limite, atrai o público na sua saga dos Transformers, que, pelos números, deve continuar. E depois das trilogias com o herói teen e o homem maduro – em termos –, quem garante que não teremos um avô? Transformers segue a linha de tempo de seu público.

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