"Quarteto Fantástico" ganha as telas de cinema

Criado em 1961 por Stan Lee e Jack Kirby, o Quarteto Fantástico era um produto direto da Guerra Fria. Reed Richards (Sr. Fantástico), Sue Storm (Mulher Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (O Coisa) foram vítimas de experiências com radiação na corrida entre o ocidente capitalista e o oriente comunista pela supremacia no poder de fogo. Não por acaso, o principal antagonista do grupo, o Dr. Destino, vinha de um obscuro país do leste europeu. No blockbuster baseado nas histórias em quadrinhos que estréia hoje, o perfil e os poderes dos personagens são mantidos, mas algumas coisas mudaram muito. O filme toma de assalto entre 450 e 500 salas de todo o Brasil.O diretor Tim Story, que vem de comédias sem graça, como Essa Turma do Barulho e a refilmagem americana de Táxi, trouxe o quarteto e seus personagens para os dias de hoje. Reed (Ioan Gruffudd), Sue (Jessica Alba), Johnny ( Chris Evans) e Ben (Michael Chiklis) formam um grupo de cientistas recém-saídos da Nasa que se rende ao mundo das pesquisas financiadas por grandes corporações para investigar o desenvolvimento do DNA no espaço. O ingrediente político, que no papel era insidiosamente sugerido, praticamente desapareceu. A questão agora é o mundo corporativo versus a pesquisa científica para fins altruístas. Story acrescenta também uma questão atual, transformando os heróis em celebridades instantâneas. É uma tentativa de imprimir alguma profundidade em um time que não tem o mesmo apelo de um Homem-Aranha ou um Batman. É uma boa tentativa, mas não dá resultado. Os efeitos são muito bons, a caracterização do Coisa também. E os alívios cômicos, especialmente os que colocam em lados opostos o herói pedregoso e o incendiário playboy Tocha Humana, realmente trazem um alívio. Assim como a imagem iluminada de Jessica Alba no papel da Mulher Invisível.

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