Quarta-feira cheia em Gramado

A quarta-feira em Gramado foi completa, com atrações bem diversas. A tarde começou com exibição do longa infanto-juvenil Tainá no País das Amazonas, de Tânia Lamarca. O filme, que levou 1,2 mil crianças ao Palácio dos Festivais, conta as aventuras de uma indiazinha órfã na Amazônia.Também nas premières gramadenses foi exibido Leste-Oeste, de Régis Wagnier (diretor do épico Indochina), um ótimo filme que deve entrar em circuito brevemente. O filme conta a história do russo Alexei Golovine (Oleg Menshikov) e sua esposa francesa Marie (Sandrine Bonnaire), que vão morar na União Soviética, em 1946, quando Stálin convida os cidadãos russos que se exilaram na época da guerra a voltarem. O filme tem Catherine Deneuve no elenco.O primeiro longa a ser exibido em competição foi o mexicano Santitos, de Alejandro Springall, filme que ganhou como melhor filme latino no Festival de Sundance de Cinema Independente, em Park City (EUA) em 1998. O filme também rendeu a sua protagonista, a atriz Dolores Heredia, dois prêmios como melhor atriz (entre eles no Festival de Cartagena de Índia de 99).No seu primeiro longa-metragem, Springall (que já produziu bastante, entre eles Cronos, que ganhou prêmio da crítica em Cannes em 94) se deu bem. O filme é uma história simpática e repleta de acontecimentos inusitados que rondam a personagem de Dolores - a comerciante e católica fervorosa Esperanza. Depois de ver a imagem de São Judas Tadeu dentro do fogão de sua casa, Esperanza é alertada de que a filha que julgava morta está viva, e parte em sua busca. Na sua saga ela passa por todo o tipo de situações, chegando até mesmo a trabalhar num clube de voyerismo e se apaixonar por um campeão de luta-livre em Los Angeles. "Encorporei Esperanza com todo o coração. É como se tivesse dado minha mão a ela e tivesse a deixado me conduzir", disse a simpática atriz, que esteve em Gramado representando o filme. Ela confessou que ao contrário da personagem, que é devota dos mais variados santos e anda com imagens deles para todo lugar, ela não é tão religiosa. "Mas sou devota de uma santa muito especial, Santa Teresa de Jesus, que sempre me guiou", esclareceu Dolores.Estorvo foi o primeiro longa nacional a ser exibido, e agradou o público, embora tenha uma estrutura bastante angustiante. O que mais chama atenção na adaptação de Ruy Guerra do livro homônimo de Chico Buarque foram as tomadas e os recursos de câmera pouco usuais que utilizou, contando a fuga paranóica de um homem pelo campo e pela cidade.Essa distorção e brutalidade usadas no manejo da câmera é o aspecto mais interessante do filme de Ruy Guerra, remontando às produções do diretor na época do Cinema Novo, quando acabava de chegar de Moçambique para dar início ao movimento no Brasil junto à Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e outros.O primeiro curta exibido na mostra competitiva, Cão Guia, de Gustavo Aciolli, foi produzido por estudantes de cinema do Rio de Janeiro. Por isso é um filme bastante surpreendente, com uma história divertida e criativa. Conta os encontros e desencontros entre uma jovem cega e um rapaz atrapalhado, com boas interpretações de Graciela Pozzobon e Bruce Gomlevsky. Foi seguido pelo trabalho do animador gaúcho Otto Guerra (que foi homenageado recentemente no Anima Mundi 2000, Cavaleiro Jorge. Apesar de não ser ruim, este desenho está longe de ser tão bom como tudo que Otto já produziu, como os já clássicos Janela e Rock e Hudson. A história do cavaleiro que é convocado para aniquilar um temido dragão destaca-se principalmente pelo visual bem colorido e repleto de figuras estranhas, originárias do traço do ilustrador Fábio Zimbres.Quarta foi dia de exibição na mostra oficial do longa Quase Nada, do brasileiro Sérgio Rezende (obra de orçamento modesto do diretor responsável por Canudos e Mauá - O Imperador e o Rei), e também a produção uruguaia El Viñedo, de Estaban Schroeder.

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