'Quarentena' recicla ingredientes de filmes de terror

Filme dos irmãos Dowdle, beira o horror absoluto em cenas assustadoras, que devem atrair público jovem

REUTERS

09 de janeiro de 2015 | 13h20

Quarentena, em estreia nacional, é uma refilmagem do sucesso espanhol REC (2007), de Paco Plaza e Jaume Balagueró, que ajudaram os irmãos John Erick e Drew Dowdle (do atordoante The Poughkeepsie Tapes, ainda inédito no país) na adaptação norte-americana. Veja também:Trailer de 'Quarentena'   Embora algumas cenas sejam refeitas quadro a quadro, os Dowdle - que assinam roteiro e direção - mudaram cenas-chave da trama. A história é centrada na repórter Angela Vidal (Jennifer Carpenter, de O Exorcismo de Emily Rose). Ela e seu cinegrafista, Scott (Steve Harris), fazem reportagens para a TV sobre a rotina de profissionais que trabalham enquanto o restante da cidade dorme. No programa da vez, eles passam a noite em um quartel de bombeiros. Depois de horas de tédio, Angela e Scott acompanham os bombeiros em uma chamada. Em princípio, a emergência não tem muitas emoções: uma senhora aparentemente passou mal e os vizinhos não conseguem abrir a porta de seu apartamento. Ao chegar ao edifício, no entanto, a situação mostra-se mais sombria. Quando os policiais e bombeiros invadem a casa, seguidos pela câmera de Scott, a tal senhora ataca um policial, arrancando com os dentes metade de seu pescoço. Quando o grupo de resgate tenta levar o oficial atingido para o hospital, percebe que o prédio foi lacrado pelo Exército. Isto é, estão em quarentena. Como não há qualquer explicação, exceto o ataque da idosa canibal, a tensão dos personagens começa a aumentar com o confinamento. Tudo isso captado pelas lentes de Scott e apresentado por Angela, que sente que precisa mostrar o que está acontecendo com eles. Apesar de ser válido fazer pequenas modificações, nem que seja por razões culturais, os irmãos Dowdle extraíram a essência de REC, para incorporar uma estranha referência ao terrorismo. Some-se a isso o fato de a produção estragar o suspense com detalhes desnecessários, que não existiam na versão ibérica. Talvez o ponto mais negativo da trama seja o fato de ter criado um argumento precário para explicar a origem dos zumbis. É difícil entender como uma doença erradicada há décadas poderia tornar-se o vírus do fim do mundo. Fica muito evidente, também, que "Quarentena" procura reunir estilos de diferentes vertentes do cinema de terror atual. Em três referências simples, encontra-se na produção a narrativa por meio de uma trêmula câmera, como em A Bruxa de Blair (1999) e Cloverfield - Monstro (2008); um número crescente de zumbis, como em Madrugada dos Mortos e Extermínio, ambos de 2003, e mortes violentas, com muitos ossos quebrados e sangue, similares aos vários capítulos de Jogos Mortais e O Albergue (2006). Para os fãs do gênero, esse mosaico do horror funciona como um ímã. Afinal, Quarentena não apenas copia modismos, ele provoca todas as sensações dos filmes que imita: tensão, aflição, asco, medo, tontura e, às vezes, até alguns risos. (Por Rodrigo Zavala, do Cineweb) * As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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