Stela Murgel
Stela Murgel

'Quando Falta Ar' acompanha a linha de frente do SUS no pior momento da pandemia

Filme é um dos destaques desta segunda, 4, no Festival É Tudo Verdade

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2022 | 12h10

Em março de 2020, a médica infectologista Helena Petta tinha acabado de se tornar mãe, por isso não pode atuar na linha de frente com os colegas da saúde como desejava. Foi então que surgiu a ideia de gravar por skype depoimentos dos profissionais do SUS que estavam arriscando as próprias vidas na pandemia.

Eram histórias de coragem, superação e heroísmo no momento em que o governo federal mantinha um discurso negacionista.  

A vacina ainda não existia em outubro daquele ano, quando Helena colocou de pé o projeto de fazer um documentário presencial e saiu viajando pelo Brasil ao lado da irmã, a atriz e cineastas Ana Petta, para rodar o longa Quando Falta o Ar , que é um dos 7 selecionados entre 80 produções na mostra competitiva do festival É Tudo Verdade

O filme foi contemplado no programa Todos Pela Saúde, um comitê de ações permanentes contra a pandemia patrocinado pelo Itaú e que reunia, entre outros, Drauzio Varella e Gonzalo Vecina. "A gente tinha medo, como qualquer pessoa, mas sentimos que era o momento de cumprirmos o nosso papel para construir essa memória, assim como os jornalistas que estavam na linha de frente", disse Ana Petta ao Estadão. 

O filme foi gravado em lugares que, naquele momento, eram verdadeiras zonas de guerra: em São Paulo, no Hospital das Clínicas, em Recife, na UBS do Morro da Conceição, no Pará, no Hospital Municipal de Castanhal e com a equipe de saúde de Igarapé Miri, em Salvador no Complexo Penitenciário Lemos de Brito e em Manaus, com a ONG SOS Funeral.

Ana e Helena, que já tinham trabalhado juntas na série Unidade Básica, da Universal , dessa vez estreiam como dupla na direção. Vale lembrar que o vencedor do festival está automaticamente credenciado para concorrer ao Oscar pelo Brasil. 

"Quando o ritual da morte não era mais possível e a solidão uma constante, nos pareceu fundamental abrir a câmera para os diferentes tempos e dimensões envolvidas no cuidado em saúde, nos aproximando destes profissionais que estavam resistindo em uma das maiores crises sanitárias da história, em um país abandonado por seu principal governante”,  disse Helena. 

Hospital, de Frederick Wiseman, e os filmes de Maria Augusta Ramos, foram as referências de Ana e Helena, que também citam obras mais "sensoriais" como as de Naomi Kawase e contemplativas como as do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul.

O filme tem o selo da produtora Paranoid,  dos sócios Heitor Dhalia e Egisto Betti. Como seguiram à risca todos os protocolos, ninguém foi contaminado durante as filmagens.

13h: sessão virtual: É Tudo Verdade Play (limite de 200 views)

15h: Debate com equipe do filme no canal do É Tudo Verdade no Youtube

 

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