PARAMOUNT PICTURES
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Qual será o final 'mais apropriado' para a nova versão de 'O Poderoso Chefão 3'?

Cineasta Francis Ford Coppola deve lançar em dezembro 'O Poderoso Chefão de Mario Puzo, Coda: A Morte de Michael Corleone'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 08h36

Em 20 de dezembro, serão 30 anos do lançamento de O Poderoso Chefão III. O filme estreou a tempo de se habilitar para concorrer ao Oscar. O 1 e o 2 haviam vencido o prêmio da Academia em 1972 e 74, ambos na categoria de melhor filme, mas só o segundo somou também o prêmio de direção para Francis Ford Coppola. Os dois também venceram o Oscar de melhor roteiro adaptado – para Coppola e o escritor Mario Puzo. Parte III foi indicado para sete prêmios e não levou nenhum. A crítica foi dura. De maneira geral, foi definido como o pior da série.

Passado todo esse tempo e depois de refazer no ano passado, pela segunda vez, Apocalypse Now – Apocalypse Now Redux e agora Apocalypse Now Final Cut, Coppola tomou gosto por revisitar sua obra. Com o apoio da produtora Paramount, ele iniciou os trabalhos de restauro de uma edição comemorativa desse 30.º aniversário. Limpou, poliu, mas não ficou satisfeito. A Paramount acaba de anunciar que O Chefão III ganhou uma nova versão. O próprio Coppola esclarece: “Para esta versão, reorganizei cenas filmadas e combinações musicais. Com essas mudanças e mais a filmagem e o som restaurados, esta é, para mim, uma conclusão mais apropriada para O Poderoso Chefão e O Poderoso Chefão Parte II.” A Paramount, ao anunciar a novidade, jogou para dezembro a chegada da nova versão às plataformas digitais. Até o título mudou – O Poderoso Chefão de Mario Puzo, Coda: A Morte de Michael Corleone.

O novo título põe foco no desfecho. Rememorando – preparare-se para o spoiler: toda a arquitetura de Parte III converge para a matança final, que inclui o Papa e a cúpula do Banco Ambrosiano, do Vaticano. Coppola e Puzo basearam-se num episódio real – o escândalo do banco. A sequência de mortes culmina na escadaria que dá acesso ao teatro da Sicília – o retorno às origens -. em que o filho de Michael, agora diretor, acaba de apresentar a sua versão de Cavalleria Rusticana. O tiroteio, que deveria culminar com a morte de Michael – ele tem seus inimigos -, culmina com um sacrifício inesperado, o de sua filha. Coppola havia selecionado Winona Ryder para o papel, mas ela caiu fora quando a filmagem estava começando. Coppola colocou sua filha – Sofia – no papel. Para um pai, mesmo que seja ficcional, filmar a morte da própria filha pode ser traumático.

É o mais pungente dos três filmes. Em todos, o tema da família serve a uma reflexão sobre a luta pelo poder numa organização que coloca em relevo a democracia étnica. Italianos vs. irlandeses, no primreiro filme. O relato em dois tempos no segundo – a ascensão de Dom Vito e a varredura de Michael, capaz de matar o próprio irmão e destruir seu casamento para manter o poder que conquistou no primeiro. No terceiro, Michael recorre à Igreja para legalizar os negócios da família. Chega a se distanciar do conselho que reúne as famílias criminosas de Nova York. Escolhe seu sucessor, o sobrinho, mas cobra dele um alto preço – que se distancie de sua filha, que o ama. A partir daí, tudo é tragédia. Michael, que talvez sonhasse retomar o casamento com Kay, fica mais solitário que nunca. Morre naquele jardim.

Tudo isso é do conhecimento do público – e o novo título ratifica -, mas agora Coppola anuncia outro final, 'mais apropriado'. Qual será? Será preciso esperar até dezembro para saber. Desde o lançamento, sempre houve elogios para Al Pacino, Andy Garcia e Diane Keaton. Sobrou para Sofia Coppola. Com certeza para atingir seu pai, a crítica toda caiu matando na filha. Ela chegou a ser responsabilizada pelo fracasso do filme. Fracasso? É maravilhoso. A própria Sofia desistiu de ser atriz e virou a diretora autoral que todo cinéfilo conhece.

 

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