"Prova de Vida" dispara nas locadoras

Quando esteve em São Paulo, emmarço, para lançar Prova de Vida nos cinemas, o diretor Taylor Hackford lembrou a época em que integrou o Peace Corps,trabalhando como voluntário em países da América do Sul. Esteve no Peru, na Colômbia, no Equador. Conhece, portanto, não apenas a geografia, mas também as condições sociais da região na qualsituou a ação do filme estrelado por Meg Ryan e Russell Crowe. Mal foi lançado nas locadoras, Prova de Vida já disparou napreferência do público.Nas salas não obteve tanta repercussão.Nos EUA, chegou a ser considerado um grande fracasso. Meg dá um tempo nas suas heroínas de comédias românticase faz um papel mais árduo. É a mulher de um executivo americanoseqüestrado num país fictício da América Latina. Crowe, o astrode Gladiador, que ganhou o Oscar deste ano, entra em cenacomo o negociador profissional que vai tentar conseguir alibertação do cara. Você não precisa ter visto o filme noscinemas para saber que o negociador e a mulher da vítima vão sesentir atraídos.Nas entrevistas que deu na cidade, Hackford acusou adupla de atores pelo fracasso do filme nas bilheteriasamericanas. Explica-se: Meg e Crowe viveram um tórrido affairdurante a rodagem e ela chegou a deixar o marido, Dennis Quaid,para quem voltou depois. Por causa da publicidade que o casoteve na mídia, Hackford acha que o público queria ver os dois nacama, em cenas intensas, que ele não filmou para não desviaro projeto do seu objetivo.Prova de Vida tenta discutir seriamente um assuntoexplosivo: a indústria do seqüestro em países do Terceiro Mundo.O que o diretor diz presta-se à polêmica: antigos guerrilheirosabdicaram da ideologia e viraram criminosos comuns. Discutívelque seja, é um ponto de vista a considerar. Hackford, queconhece o drama latino, faz algumas observações interessantes: odilema da garota que conhece a identidade de um seqüestrador,mas teme por sua família. É a melhor parte do filme. De resto,ele mesmo deplorou a solução: Crowe se veste de Rambo e partepara a pauleira quando a negociação fracassa. "É triste, mas senão fosse assim o filme não interessaria a nenhum estúdio deHollywood", explicou.Prova de Vida (Life Proof). EUA, 2000. Direção de Taylor Hackford. DVD (R$ 39,90) e vídeo da Warner.

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