Protesto de Michael Moore era previsível

Ninguém pode dizer que não sabia o que vinha por aí. O diretor Michael Moore, ganhador do Oscar de melhor documentário de longa-metragem com Bowling for Columbine, já tinha feito um discurso contrário ao presidente George W. Bush e "sua guerra fictícia" na cerimônia dos Spirit Awards, realizada no sábado em Santa Mônica, na Califórnia. Ele usou um broche com os dizeres "Shoot movies, not Iraqis" (shoot, em inglês, também significa filmar, além de disparar armas de fogo).Mas o currículo de Moore tem situações muito mais constrangedoras, ainda que para platéias menores. Em The Big One, um documentário de 1997, ele constrangeu o presidente da Nike com acusações de que ele prefere sub-empregar asiáticos em vez de manter fábricas nos EUA, que viviam e ainda vivem altas taxas de desemprego. Além do dono da Nike, Moore tentou falar com vários presidentes de corporações que demitiram, arrocharam salários ou simplesmente fecharam para abrir filiais no México. Não foi recebido por nenhum outro presidente, mas em todas elas deixou ?presentes?que carregavam ácidas brincadeiras. Exemplo: diplomas de arrocho salarial do ano e cheques no valor da hora de trabalho de trabalhadores mexicanos. Outras celebridades que estivram no Oscar também haviam feito seus protestos no sábado. Julianne Moore, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Spirit Awards por Longe do Paraíso, disse que "guerra não é a solução". A produção de Todd Haynes ganhou outros quatro prêmios Spirit: os de melhor filme, diretor, ator coadjuvante (Dennis Quaid) e fotografia. O prêmio de melhor ator ficou com o iniciante Derek Luke, astro de Antwone Fisher, que foi garçom da cerimônia quatro anos atrás. O Spirit Award de melhor atriz coadjuvante ficou com Emily Mortimer, de Lovely & Amazing, e o de melhor filme estrangeiro foi para E Sua Mãe Também, do mexicano Alfonso Cuarón.

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