Promotor aposentado revela ter mentido sobre caso Polanski

Entrevistado no documentário sobre o cineasta desmente ter dito ao juiz que devia condená-lo

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

01 de outubro de 2009 | 15h00

Um promotor aposentado, cujas revelações em um documentário recente sobre o cineasta franco-polonês Roman Polanski, de 76 anos, apontaram irregularidades graves no julgamento do cineasta acusado de abusar de uma garota de 13 anos, em 1977, diz agora que mentiu sobre o caso, afirmou na quarta-feira, 30, o jornal Los Angeles Times.

 

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David Wells, de 71 anos, disse no documentário "Roman Polanski: Wanted and Desired", que ele tinha conversado com o juiz do famoso caso antes do anúncio da sentença e que, durante a conversa, disse ao magistrado que o cineasta merecia a prisão.

 

Após o documentário ser exibido na TV a cabo pelo canal HBO, os advogados de Polanski gravaram as revelações de Wells e disseram nos documentos judiciais que ele e o juiz, Laurence Rittenband, descumpriram a lei ao discutir o caso em particular, informou o jornal.

 

O encontro teria acontecido quando Polanski estava aguardando a condenação após se declarar culpado de ter mantido relações sexuais com a menor. Com medo de ser condenado a uma longa pena de prisão, Polanski fugiu dos EUA em janeiro de 1978.

 

"Isto não é verdade", disse Wells ao Los Angeles Times, se referindo ao encontro de portas fechadas. "Eu gostaria de falar disso como um declaração sem efeito, mas a realidade é que foi uma mentira", acrescentou.

 

Wells, que na época não foi apontado como promotor do caso, disse ao jornal que tinha inventado a história porque pensou que o documentário não iria ao ar no EUA.

 

No último sábado, 26, Roman Polanski foi preso em Zurique, na Suíça, que atendeu o pedido da justiça americana pelo caso, ocorrido em Santa Mônica, próximo a Los Angeles.

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