Projeto leva filmes a 200 cidades

Uma sessão de Tainá, uma Aventura naAmazônia, em plena Cinelândia, no centro do Rio, a partirdas 18h30, lança nesta terça-feira a terceira edição do projeto CinemaBR em Movimento, que levará oito filmes a 200 cidadesbrasileiras, do Oiapoque ao Chuí. Os dois pontos extremos doPaís também assistirão ao filme no mesmo horário, para comemorarsimbolicamente o fato de o programa atingir todo o territórionacional. "Em três anos de experiência, mostramos 11 títulospara 331 mil pessoas em todos os Estados", diz o criador doprojeto, Alberto Graça. "Formamos platéia e promovemos oencontro de pessoas em manifestações culturais locais, antes oudepois da sessão." Cinema BR em Movimento começou quase por acaso. Aolançar seu filme O Dia da Caça, Graça não tinha verba para adivulgação na mídia. Decidiu provocar notícias, exibindo o filmeem universidades e centros comunitários do País. O resultado foiexcelente. Além de tornar o filme conhecido nas cidades por ondepassava, discutia o cinema nacional, os preconceitos contraa produção brasileira e despertava o interesse de pessoas espalhadaspelo País em entrar na atividade. "O importante desse projeto é chegar a cidades que nãofazem parte do mercado cinematográfico nacional. O Brasil temcinemas em apenas 150 cidades grandes e neles se vendem 70milhões de ingressos por ano, a um preço médio de US$ 5. Sãocerca de 7 milhões de pessoas que vão ao cinema dez vezes a cadaano, porque a população não tem dinheiro para a entrada",contabiliza Graça. "Com esse projeto provamos que, se oingresso ficar acessível, haverá público e o filme brasileiroterá boa bilheteria." Neste primeiro semestre, serão exibidos Bufo eSpallanzani, Copacabana, Janela da Alma e Tainá. Ostítulos do segundo semestre ainda não foram definidos. "Comotemos agentes trabalhando em cada cidade, selecionamos os filmescom eles, de acordo com o gosto da platéia", diz Graça. "Nas universidades exibimos filmes que discutem asociedade brasileira, enquanto em favelas, onde o público éheterogêneo, eles pedem um gênero mais família ou então queaborde seus problemas específicos. Foi muito interessante, porexemplo, o debate provocado no subúrbio carioca de Anchieta, noano passado, pelo filme O Rap do Pequeno Príncipe contra asAlmas Sebosas. O tema eram drogas, uma realidade que eles vêmmuito de perto." Graça prepara seu novo filme, uma cinebiografia deHerbert de Souza, o Betinho, mas pretende levar paralelamente oprojeto Cinema BR em Movimento. "Além de formar platéia,conseguimos despertar o interesse de novos profissionais daárea. Algumas das pessoas encarregadas da produção das sessõesnas universidades e comunidades já pensam em abrir salas decinema ou ter alguma atividade que os ligue à indústriacinematográfica", conclui Graça.

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