Ben Rosenstein/Paramount Pictures
Ben Rosenstein/Paramount Pictures

'Projeto Gemini' e 'Greta' são destaques nas estreias da semana; confira a lista completa

De 12 novos filmes que entram em cartaz, oito são produções brasileiras

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 11h06

Entram em cartaz 12 novos filmes – 12! Oito deles são produções brasileiras, sendo três do Nordeste, incluindo Greta, do cearense Armando Praça, que venceu os prêmios de melhor filme e direção no CineCeará e ainda valeu a Marco Nanini o troféu de melhor ator. Nanini é excepcional como velho gay que se envolve com homem acusado de assassinato. O filme tem cenas de sexo no limite do explícito e nu frontal. Nanini há tempos buscava um projeto para mostrar, sem pudor, seu corpo de velho na tela. A densidade emocional é tanta que as rugas vão para segundo plano.

Curiosidade – a grande estreia, em número de salas (e não apenas), é Projeto Gemini. Ang Lee já venceu duas vezes o Oscar de direção e já se fala de sua fantasia científica na próxima premiação da Academia – será o terceiro Oscar? Caçada humana. Will Smith faz assassino de elite perseguido – surpresa! - por homem mais jovem que ocorre ser o clone dele mesmo. O tempo passa para todos, e até Will Smith já tem sua versão 'jovem'.

Veja a lista completa:

Amor Assombrado

Dir. de Wagner de Assis, com Vanessa Gerbelli, Carmo Della Vecchia, Guilherme Prates, Carolina Oliveira.

Diretor de filmes de temática espírita, como Kardec e Nosso Lar, Wagner de Assis tenta algo diferente, mas que talvez não seja tão diferente assim, porque ele continua operando no registro do fantástico. Uma famosa escritora vive numa espécie de mundo paralelo, onde são embaralhados os limites entre ficção e realidade. Da realização tosca de Nosso Lar para o bem produzido Kardec, o salto foi grande. O novo filme se antecipa como uma aposta muito grande do diretor na questão da linguagem. Pode ser interessante.

Em Guerra

Direção de Stéphane Brizé, com Vincent Lindon.

Vincent Lindon não é só um astro na França, mas também um artista cidadão, militante em questões políticas e sociais. Foi melhor ator em Cannes, em 2015, por A Lei do Mercado, que interpretou com direção de Stéphane Brizé. No ano passado, ambos voltaram à competição de Cannes com essa outra parceria que provocou polêmica. Num registro de ficção, mas em estilo que parece documentário, o filme acompanha o processo de radicalização do movimento operário. Os patrões querem fechar a fábrica na França e reabri-la em outro país do antigo bloco comunista, onde os salários são menores. Entre rodadas intermináveis de negociação, os ânimos esquentam e a situação escapa ao controle. Em entrevista ao Estado, Brizé disse que fez o filme para colocar em discussão a nova linguagem entre patrões e empregados – competitividade substitui lucro, mas o abismo social permanece – e também para legitimar os anseios dos trabalhadores. Entre A Lei do Mercado e Em Guerra, Brizé filmou Guy de Maupassant, o rigoroso Uma Vida. É um autor que tem uma visão do mundo, e do cinema.

Eu Sinto Muito

Dir. de Cristiano Vieira, com Juliana Schalch, Rocco Pitanga, Wellington Abreu.

Nessa enxurrada permanente de lançamentos – toda semana entram dez ou mais filmes -, a produção brasileira tem sido sacrificada. Muitos filmes entram para o sacrifício. Poucas salas, horários quebrados. A história dessa produção brasiliense da Stu10 é sobre cineasta que realiza um filme dentro do filme – um documentário sobre o transtorno de personalidade limítrofe, ou borderline. Para isso, elege três personagens e os acompanha com sua câmera. Todos emocionalmente instáveis, hipersensíveis e com dificuldades de relacionamento.

Frans Krajcberg – Manifesto

Regina Jehá demorou certa de oito anos para conseguir fazer e, agora lançar esse documentário sobre o artista/ativista ambiental. Ela recupera o Manifesto do Naturalismo Integral, que Krajcberg redigiu com Pierre Restany em 1978, segue-o enquanto prepara sua participação na Bienal de São Paulo de 2016 e chega ao seu manifesto como artista e cidadã. O mais impressionante nisso tudo é o timing. Quem poderia imaginar – Regina, certamente, não – que seu filme seria lançado no furacão do atual debate sobre as queimadas que ameaçam desertificar a Amazônia? Um filme importante e, mais que isso, necessário.

Greta

Depois de sua apresentação na Mostra Panorama em Berlim, em fevereiro, o longa que Armando Praça adaptou da peça Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá, de Fernando Mello, venceu o CineCeará em setembro, ganhando nas categorias principais de melhor filme, diretor e ator. Marco Nanini é excepcional como o enfermeiro gay que se envolve com homem que ajuda a fugir do hospital em que trabalha. A peça é considerada precursora do besteirol. Seu humor é preconceituoso, mas Praça e Nanini logram mudar o foco e resgatar a humanidade do personagem. Nanini expõe-se em cenas de sexo, incluindo nu frontal. Não é por nenhum desejo de exibicionismo. Há tempos, procurava material para mostrar a própria decrepitude física e livrar-se do fantasma do envelhecimento. Como reagirá o público? 

Jessica Forever

Dir. de Caroline Poggi e Jonathan Vinel, com Aomi Muyock, Sebastian Urzendowsky, Augustin Raguenet.

Esse filme francês vem sendo anunciado há semanas, mas na hora H sempre troca de data. Vamos ver se agora vai. Grupo paramilitar é formado por órfãos e liderado por garota que acredita na força bruta. Por isso, ela treina compulsivamente. Sucesso no IndieLisboa, o filme fez lembrar aos críticos o cinema da exigente Claire Denis, mas numa estética mais próxima dos games.

Luna

Dir. de Cris Azzi, com Eduarda Fernandes, Ana Clara Ligeiro, Lira Ribas, Hewrison Ken.

Garota pobre, com os hormônios em ebulição, fica amiga da riquinha das escola, mas a relação será colocada à prova quando a intimidade de Luana – é seu nome – vai para as redes sociais. Lembra alguma coisa? Claro – Ferrugem, de Aly Muritiba, mas não faltam elogios para o tratamento que Cris Azzi dá à sua história.

Morto não Fala

Dir. de Dennison Ramalho, com Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento, Marco Ricca, Bianca Comparato.

Mais um exemplar de cinema brasileiro de gênero, e bem bom como criação de clima. Daniel de Oliveira trabalha no necrotério. Vive entre os mortos, e dialoga com eles, ouvindo suas histórias. Numa dessa, ouve a história da traição da mulher (Fabiula Nascimento) e planeja a morte do amante (Marco Ricca). Quem é o vilão da história – Daniel, que mata, ou Fabiula, que termina por provocar a maior confusão na morgue, na família? De repente, como uma Medeia enlouquecida, ela está disposta a sacrificar os próprios filhos. O horror, o horror, e mais uma interpretação intensa de Daniel de Oliveira. Mas Fabiula Nascimento não fica nem um pouco atrás, ela que está roubando a cena na novela das 7, Bom Sucesso.

A Noite Amarela

Dir. de Ramon Porto Mota, com Rana Sui, Ana Rita Gurgel, Felipe Espíndola, Marina Alencar.

Segundo longa da produtora paraibana Vermelho Profundo e, como o anterior – O Nó do Diabo -, outro terror. Depois de explorar medos atávicos que remontam à época da escravidão, a Vermelho incursiona pelo rito de passagem. Jovens numa ilha. Conversam sobre expectativas quanto ao futuro, mas há algo estranho. É sempre noite e eles começam a se sentir vulneráveis, fragilizados, com a sensação de perigo iminente. O filme passou por festivais europeus – Roterdã e IndieLisboa – antes de estrear no Brasil. Aqui, também já marcou presença no Olhar de Cinema, em Curitiba.

O Pintassilgo

Dir. de John Crowley, com Sarah Paulson, Finn Wolfhard, Nicole Kidman, Jeffrey Wright, Luke Wilson.

Baseado no bestseller de Donna Tartt – um livro de prestígio que também venceu o Pulitzer -, o filme conta a história de garoto que perde a mãe num atentado terrorista a museu. Na fuga, em meio aos escombros, ele carrega um quadro – O Pintassilgo. Adulto, o personagem terá de resolver muita coisa para superar o trauma e seguir em frente. O quadro será a chave, ou uma das. O trailer promete uma obra de grande refinamento plástico e estilístico.

A Princesa de Elymia

Dir. de Sílvio Toledo.

Fantasia sobre garota que descobre, na Pedra da Gávea, no Rio, o portal de entrada para um mundo encantado no qual terá de usar a magia para derrotar bruxos, dragões e demais seres monstruosos. Animação produzidas na Paraíba, em Campina Grande. O cinema regional expõe a diversidade do Brasil. Além dos longas paraibanos (dois!), a semana também traz Greta, do cearense Armando Praça.

Projeto Gemini

Dir. de Ang Lee, com Will Smith, Mary Elizabeth Winsdtead, Benedict Wong, Linda Emond, Douglas Hodge.

A fantasia científica do duplamente premiado pela Academia Ang Lee – Oscars de direção por O Segredo de Brokeback Mountain e As Aventuras de Pi – mostra Will Smith como assassino de elite perseguido por uma versão mais jovem dele mesmo. O trailer promete cenas espetaculares de ação. O diretor domina as ferramentas do drama. Talvez a melhor estreia das semana – será?

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