Produtora Gale Anne Hurd fala da série 'The Walking Dead'

Atriz foi casada com De Palma e James Cameron

Entrevista com

Gale Anne Hurd

O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 16h00

Convidada pelo Festival do Rio, Gale Anne Hurd veio ministrar uma das palestras mais concorridas do RioMarket. É o segmento de negócios do evento carioca, que terminou na quarta-feira, dia 8. Gale veio falar de produção e da série The Walking Dead, da qual trouxe o ator Chad Coleman. A quinta temporada da série pós-apocalítica estreia neste domingo nos EUA, na AMC. No Brasil, a estreia será na terça, dia 14, na Fox. Quando conversou com o repórter (no dia 25), Gale pediu segredo porque o anúncio foi feito somente nesta terça-feira, dia 7 - a AMC renovou a sexta temporada de The Walking Dead, e nem poderia ser diferente, porque a série, há dois anos, é a mais assistida da TV norte-americana e ainda detém o recorde histórico de audiência na TV a cabo do país. Por tudo isso, ela acha que seria ‘loucura’ não haver a sexta temporada.

The Walking Dead virou um fenômeno de massa. São milhões de twitteiros e de curtidas no Facerbook. A que você credita esse sucesso?

Por mais que a gente faça pesquisas para entender e, se possível, prolongar o sucesso, existem sempre elementos imponderáveis que interferem na resposta. O certo é que tem havido um interesse muito grande por um tipo de fantástico. Sempre houve vampiros no audiovisual, mas Crepúsculo renovou o gênero no cinema com seu apelo ao público teen e True Blood desenvolveu novos parâmetros de erotismo e comportamento sexual na televisão. Os mortos-vivos sempre mexeram com as pessoas. Há quase meio século George Romero vem explorando as possibilidades metafóricas dos zumbis para refletir sobre a sociedade dos EUA. Há algo de assustador na ideia do mundo infestado por mortos que caminham, mesmo que, na nopssa série, o título se refira aos sobreviventes.

Qual é a novidade da quinta temporada? E o que esperar da sexta?

A quarta temporada terminou naquele trem. A quinta será marcada pela emoção dos reencontros e também vamos descobvrir um pouco mais dos mistérios de Terminus, onde o vice-xerife Rick (Andrew Lincoln) está refém. Na sexta, Scott M. Gimple vai voltar como showrunner e também na função de produtor-executivo, com ó autor da história, Robert Kirkman, e comigo.

Sei que vocês não falam de custos, mas pode dar uma ideia do que eles representam?

O que posso dizer é que, com toda a quinta temporada de The Walking Dead, não conseguiríamos fazer um filme mediano em Hollywood. Os custos no cinema estão estourados, enquanto a TV os mantém sob controle.

Por isso é possível trabalhar com mais liberdade na TV?

Certamente não temos o estúdio obcecado com os custos dos blockbusters. Fala-se muito no cinemão como linha de montagem, mas fui casada com dois grandes diretores, dois artistas, James Cameron e Brian De Palma. Ambos são homens que têm visões da arte e do mundo e lutam para expressá-las. Na TV, o diretor não tem essa importância. Os produtores de série e os escritores, eventualmente os astros, ditam as regras.

É um retorno a Hollywood dos anos dourados?

De certa forma, sim. No sistema de estúdio, os produtores e escritores sempre tiveram primazia sobre os diretores. Poucos deles chegaram a ser reconhecidos como grandes artistas. Eventualmente um Todd (Haynes), um Marty (Martin Scorsese) ganham o holofote na TV, mas bem pouca gente se interessa por quem dirige os episódios de The Walking Dead ou qualquer outra série.

Você é cria de Roger Corman. O que aprendeu com ele?

Roger entrou para a história como produtor de filmes baratos. Respeitados os custos, ele não interferia no trabalho da gente e por isso foi o celeiro onde surgiram jovens extraordinariamente criativos (Coppola, Lucas, Cameron etc). Não havia mulheres produzindo quando comecei com Roger. Ele dizia que eu era a produtora ideal. Apaixonada por cinema, pelo diretor, recebia menos e trabalhava mais. Mas ele foi sempre generoso. Me estimulava e um dia me disse que, para crescer, eu teria de sair da sua asa protetora e voar por conta própria.

Por que você não dirige?

Amo produzir e, além do mais, como já disse, é preciso ter uma visão. Conheço minhas limitações. Não tenho a imaginação visual de James (Cameron) nem BRian (De Palma). 

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