Produtora carioca prepara filme sobre surfe

A Conspiração Filmes, produtora de obras como Central do Brasil e Eu Tu Eles, prepara-se para invadir outra praia: a do surfe. O filme Surf Adventures é um velho sonho de um trio de veteranos surfistas: o diretor Arthur Fontes, o co-diretor Roberto Moura e o produtor Bruno Wainer. Mais da metade das cenas já está filmada. "Faltam algumas viagens que deverão estar concluídas em fevereiro", garante o diretor Fontes.A história é uma espécie de turnê pelos sete mares, em busca das melhores imagens sobre esse esporte. "Há muitas décadas que nossos surfistas só dispunham de filmes americanos e estava na hora de haver um brasileiro sobre o tema", conta Fontes. "Vamos visitar as praias, levando brasileiros para surfar e comentar como são as ondas."Ele se refere a filmes como Mar Raivoso e as duas versões de Alegrias de Verão, a primeira de 1966 e o remake, feito pelo mesmo diretor, em 1994. Os dois primeiros faziam a alegria de surfistas e simpatizantes de todas as idades, nas sessões da tarde dos anos 70. Já o segundo, distribuído pela Lumière, que pertence ao produtor Weiner, levou 200 mil pessoas aos cinemas e vendeu outras 60 mil fitas de vídeo, uma aceitação considerada muito boa.Esse desempenho respeitável animou Wainer a produzir Surf Adventures. "De 1995 para cá, aumentou muito o número de salas multiplex pelos shoppings, que são freqüentados por milhares de surfistas e isso deve aumentar o público de uma fita sobre o gênero", especula Wainer. Segundo ele, o Brasil tem hoje cerca de 3 milhões de surfistas e outros 5 milhões de simpatizantes, que seriam as namoradas e irmãos dos praticantes. "É um público em potencial bem animador."Surf Adventures mobilizou uma equipe enxuta. Apenas cinco privilegiados deram a volta ao mundo pelos paraísos aquáticos, visitando países como Indonésia, África do Sul e Havaí. Além disso, haverá cenas em praias do nordeste brasileiro. "Queremos fazer um filme sobre surfe, mas com um visual bem cuidado, de modo a agradar também a quem curte viagens por locais paradisíacos", conta ele.O filme tem um orçamento de R$ 1,2 milhão, considerado baixo, mesmo para os padrões brasileiros. Para baratear, ele está sendo rodado em película de super-16mm. Depois de pronto, será ampliado para 35 mm, formato padrão de todos os filmes projetados nos cinemas. A vantagem de usar uma câmera 16 mm é que ela é mais leve e exige menos gente na equipe de apoio. "Além disso, cenas na água são quase inviáveis com o equipamento de 35 mm", explica Roberto Moura.Ele conhece o assunto como poucos. Há anos é diretor do programa Surf Adventures, do canal SporTV, transmitido pela TV a cabo. Nele, a exemplo do que acontece no filme, a equipe leva surfistas famosos para surfar em praias importantes do circuito das ondas mais badaladas. "Damos dicas sobre locais de surfe, como chegar, e, principalmente, mostramos muito surfe", conta Moura.Arthur Fontes foi escalado para a direção, justamente para que o filme tivesse um diferencial em relação ao programa. "Embora o jeitão seja o mesmo, no filme iremos nos aprofundar mais na vida dos surfistas, como vivem e como penam para chegar às praias", conta Fontes. Ao contrário da série de TV, a câmera vai interferir menos nas entrevistas. "Vamos pegar os surfistas comentando as ondas e os lugares com colegas, dando opiniões sobre o mar assim que saem da água."Surfe-Favela - Moura acha importante retratar aspectos curiosos do surfe. Segundo ele, trata-se de um esporte praticado por empresários ricos, bancários, médicos, professores, office-boys, etc. Mas quando estão na praia, o status social de cada um não vale nada. "De bermuda e prancha na mão, somos todos iguais e damos valor apenas ao talento, estilo de pegar onda de cada um e se é um cara legal ou não." Como morar perto da praia é fundamental para a prática, no Rio de Janeiro os favelados disputam de igual para igual o espaço nas ondas. "O projeto chamado Surfe-Favela é apoiado por muitas feras do esporte, que dão aulas e doam pranchas usadas para moradores do morro", conta Moura.Neste mês, serão concluídas as últimas etapas do roteiro. A equipe estará nas belas praias de Florianópolis (SC), onde haverá o Campeonato Mundial de Long Board, o popular pranchão (ou canhão, como é conhecido em SP). Depois, a equipe vai para a Austrália, onde há um pequeno paraíso para os surfistas que apreciam ondas gigantes: a ilha conhecida como King Island.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2000 | 17h27

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