Produtor de Tropa de Elite aposta agora em conteúdo para celular

Eduardo Costantini Jr, empresárioargentino de 32 anos que aposta no cinema latino-americano,agora planeja entrar na produção de conteúdo para aparelhosmóveis, como o celular. Ele avalia oportunidades de aquisição de fatia de controleou minoritária em empresas de conteúdo digital com potencial decrescimento do Brasil, México ou Argentina. A empreitada aindaestá em fase inicial, mas ele já estima dispor de 15 milhões dedólares nos próximos três anos. "Ainda estamos conversando com empresas que produzam ringtones (toque de celular), games e pequenos filmes", afirmou eleà Reuters depois de ter participado do seminário EconomiaCriativa, organizado pelo governo do Estado de São Paulo. Costantini, que participou da produção do filme "Tropa deElite" não está trocando a tela grande pela pequena. Adiversificação, esclareceu o filho do milionário argentino donodo quadro "Abaporu", da brasileira Tarsila do Amaral, é umanecessidade para equacionar o negócio. A Constantini Films e a empresa dos irmãos Weinstein,ex-donos da Miramax, estão montando uma joint-venture, aindanão batizada, para levantar recursos junto a fundos de capitalde risco (venture capital) para financiar a produçãocinematográfica. Para tal, é preciso reduzir os riscos doinvestimento na produção de filmes latino-americanos. O plano de negócios da nova empresa, que deve estar prontoem seis meses, contempla três áreas de atuação. A primeira, deprodução e distribuição internacional de filmeslatino-americanos, é considerada de alto risco. A segunda, dedistribuição de filmes estrangeiros na América Latina, garantereceita estável. E era preciso acrescentar uma área decrescimento, daí a aposta no conteúdo para celular e outrosdispositivos móveis. "Com esse plano será mais fácil levantar venture capitalnos Estados Unidos", afirmou Costantini. "Será uma empresa demídia e entretenimento ao invés de uma empresa de filmes",esclareceu. "TROPA DE ELITE" NA EUROPA Abrindo o jogo sobre a lógica do negócio de produzir cinemana América Latina, o empresário argentino chegou a admitir quea pirataria do DVD "Tropa de Elite" no Brasil teve impactospositivos para o filme. "Neste caso, não sei quanto ajudou ou prejudicou... Apirataria ajudou a divulgar o filme", afirmou. Costantini disse que terá lucro com o filme brasileiro. Eleinformou ter colocado 2 milhões de dólares na produção e esperaum retorno de 50 por cento em dois anos, com a carreirainternacional da película. A estratégia está traçada: entre o festival norte-americanode Sundance e o de Berlim, na Alemanha, os distribuidoresescolheram o segundo. "Existe grande probabilidade de que ofilme entre na seleção competitiva de Berlim", comentouCostantini. Na Alemanha, as perspectivas de venda do filme para omercado europeu são muito grandes, na avaliação do empresário.Ele citou países como França, Itália e Inglaterra em que ofilme estrearia em fevereiro. Ainda em 2008, "Tropa de Elite"deve estrear no circuito EUA-Canadá, além da Ásia. A joint-venture Costantini-Weinstein pretende também criaruma distribuidora de filmes no Brasil, para poder usar debenefícios fiscais decorrentes do investimento na produção.

RENATA DE FREITAS, REUTERS

07 de dezembro de 2005 | 19h18

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