Steve Crisp/Reuters
Steve Crisp/Reuters

Procurador de Nova York investigará andamento de caso Weinstein

Investigação teria como objetivo assegurar a 'integridade' do ministério público local

AFP

20 Março 2018 | 10h32

NOVA YORK — A pedido do movimento contra o assédio sexual Time's Up, o Procurador do Estado de Nova York, Eric Schneiderman, aceitou investigar por que motivo o produtor Harvey Weinstein ainda não foi denunciado pela promotoria, quase seis meses depois do escândalo sobre seus abusos sexuais.

"Temos um conhecimento muito profundo dos anos de conduta sexual abusiva de Harvey Weinstein e, recentemente, apresentamos uma ação civil contra ele por abusos persistentes e severos contra seus funcionários na Weinstein Company", declarou o promotor no Twitter.

"Estamos comprometidos a realizar uma revisão completa, justa e independente deste assunto."

O Time's Up pediu ao governador Andrew Cuomo "uma investigação independente sobre o processo de decisão neste caso", incluindo um "exame completo" das trocas entre advogados do poderoso produtor de Hollywood e do escritório do promotor de Manhattan Cyrus Vance.

A investigação teria como objetivo assegurar a "integridade" do promotor e "restabelecer a confiança" em seu escritório, argumentou o movimento.

O movimento aponta o caso da modelo italiana Ambra Battilana Gutierrez, que não levou a nenhuma acusação do promotor de Manhattan, em 2015, quando a polícia, que possuía uma gravação de áudio comprometedora, pensava que tinha um caso sólido.

O Time's Up cita um artigo recente da revista New Yorker segundo o qual inspetores da polícia nova-iorquina ajudaram, na época, a "esconder" Battilana, reservando quartos de hotel com nomes falsos, por medo de que o promotor tentasse prejudicar a investigação.

Estas informações justificam um "exame imediato", insistiu o Time's Up.

O movimento considera "particularmente perturbadoras" as informações publicadas por alguns meios nova-iorquinos segundo as quais o promotor Vance, um democrata recentemente reeleito para o cargo, pode ter sido influenciado por Weinstein e seus advogados.

As suspeitas se devem a que a equipe de advogados de Weinstein, liderado por Benjamin Brafman, inclui ex-colaboradores e pessoas próximas a Vance.

Procurado pela AFP, o escritório do promotor não comentou imediatamente o pedido de investigação.

Interrogado na quinta-feira passada sobre a possibilidade de que Weinstein seja denunciado, Vance foi vago.

"A investigação continua muito ativa, mas não posso dizer nada mais", declarou à AFP.

Weinstein enfrenta vários processos civis em Nova York e Los Angeles. Há investigações penais em Nova York, Los Angeles e Londres, mas por enquanto nenhuma levou a sua acusação formal.

O produtor caído em desgraça, que completou 66 anos na segunda-feira, foi acusado de assédio, agressão sexual ou estupro por mais de uma centena de mulheres desde o início do escândalo, em outubro passado.

Weinstein não é visto em público há vários meses e, supostamente, está em tratamento contra o vício em sexo.

Ao mesmo tempo, a produtora fundada por Weinstein declarou formalmente sua falência na segunda-feira e anunciou em um comunicado que encerrou os acordos de confidencialidade que determinavam o silêncio das vítimas e testemunhas dos abusos sexuais cometidos por Harvey Weinstein.

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