Problemas do mercado não atrapalham comércio de filmes em Cannes

O Festival de Cinema de Cannes chegou àmetade nesta segunda-feira, e executivos de todo o mundocomeçaram a contabilizar os custos de uma economia mundialabalada por uma crise de crédito que já dura nove meses e seuimpacto sobre o show business. A resposta de vários participantes foi que, embora oscustos de festas e jantares tenham subido muito, a atividadecomercial vem sendo mais ou menos igual à do mercado de filmesdo festival de Cannes 2007. Executivos disseram que enfrentam problemas globais maisgraves que a recessão que ameaça a economia mundial: pirataria,a estagnação das vendas de ingressos nos cinemas, a retraçãodas vendas de DVDs e a concorrência da Web e dos videogames. Nos EUA, o número de ingressos vendidos subiu muito pouco:de 1,395 bilhão em 2006 para 1,4 bilhão em 2007. Nos países da União Européia, os ingressos vendidos caíramde 931,5 milhões em 2006 para 919,4 milhões no ano passado, eno Japão os números foram 164,5 milhões em 2006 e 163,2 milhõesem 2007. Mas, para quem quer passar à frente da concorrência, há umaresposta-chave que é tão eterna quanto o próprio show business,segundo os especialistas: se você tem um bom filme a oferecer,os compradores virão bater à sua porta. Se não, adeus. "A retração não tem sido tão grande porque existe umademanda por filmes comerciais. Logo, se você tem um produto, aspessoas virão comprá-lo", disse Helen Lee-Kim, presidente daMandate International (parte da Lionsgate), vendedora detítulos como a comédia "Whip It!", estréia na direção da atrizDrew Barrymore. Em Cannes, o maior evento do mundo no que diz respeito àcompra e venda de filmes, muitas companhias previam que o valorrelativamente alto do euro com relação ao dólar americano eoutras moedas baratearia seus filmes. Mas muitos vendedores disseram que a demanda não aumentoumuito porque, embora os distribuidores queiram comprar, estãotomando cuidado para não gastar demais. As flutuações das divisas levaram as despesas promocionaise outras a subir entre 15 e 40 por cento em relação ao anopassado. Mas muitos estúdios disseram que estão gastando o queé preciso. "Não reduzimos quase nada porque ainda precisamos promovernossos filmes", disse Philippe Diaz, co-fundador do CinemaLibre Studio, cujos títulos incluem "Bloodline", que analisa aidéia de que Jesus teria tido um filho com Maria Madalena.

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