MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

‘Problema não é o palavrão, em si, mas quem diz, ou como diz’, comenta Paulo Gustavo

Às vésperas da estreia de 'Vai Que Cola', ator conta que foi ver ‘A Casa dos Budas Ditosos’ e quase se desmanchou rindo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2015 | 03h00

Paulo Gustavo não se esquece das dificuldades do começo de sua trajetória, quando ele, garoto de Niterói, tentava abrir caminho e ganhar um espaço sob os holofotes. Seu primeiro grande sucesso nasceu em casa. Sua mãe é uma figura. De tanto ver os amigos rirem das histórias que contava, ele resolveu escrever uma peça sobre a mãe e ainda incorporou a personagem - Dona Hermínia. O repórter já disse que ele seguiu a trilha do Anthony Perkins de Psicose, de Alfred Hitchcock - que, em Portugal, se chamou O Filho Que Era Mãe. “Ai, mas eu não mato, não. Só de rir”, ele garante.

Como seu humor pode ser familiar com tanto palavrão?

No outro dia recebi um e-mail de um fã, um menino. Bem novinho. O tempo passa e os meus fãs se renovam, ficam cada vez mais jovens. Mas tem as idosas, que me adoram, por causa de minha mãe. Eu até disse pro menino ser bonzinho, não dizer os palavrões que o tio diz, porque não são legais. Minha mãe sempre brigou comigo, e ainda briga, por causa da boca suja. Só que ela, quando vai me educar, despeja mais palavrões ainda.

O palavrão está em todas as bocas, é isso?

O palavrão faz parte do linguajar da gente. E o problema não é o palavrão, em si, mas quem diz, ou como diz. Fui no programa do Jô (Soares) e ele disse uma coisa bacana. Que meu palavrão não ofende. Tem gente que diz ‘cocô’ e você fica pê. Eu digo o pê e as pessoas riem. Outro dia fui ver a peça A Casa dos Budas Ditosos, com Fernanda Torres. Nunca ouvi tanto palavrão na vida, até aprendi (e ele ri). Mas a Fernanda diz aquilo com um gosto, uma graça que a gente embarca na viagem dela. A peça é um barato. Está fazendo o maior sucesso há um tempão. Por quê? Porque o público gosta. O problema é não ficar só no palavrão. Tem de ter algo mais.

E o que é o algo mais do Paulo Gustavo?

Quem tem de dizer é você. As pessoas falam que se divertem comigo porque zoo demais. Não poupo ninguém, muito menos eu. A arte do humor é não se levar a sério.

Mas você quer ser sério. Ainda tem aquele projeto de interpretar São Francisco de Assis?

Claro, a Iafa (Britz, produtora) está atrás de patrocínio e, enquanto isso, a gente alinhava ideias, pensa no roteiro. A Iafa queria que Patrícia Andrade (roteirista de ‘2 Filhos de Francisco’) escrevesse o roteiro, mas ela não pode.

Quer dizer que a ideia do filme sobre São Francisco, que você soltou como uma brincadeira, está virando coisa séria?

Meu querido, preste atenção. Eu sou sério, mas tudo o que faço tem de ser na base da brincadeira, senão não tem graça.

Você faz monólogo, divide o palco e a tela com muita gente. Mas de todas as parcerias, uma que tem dado supercerto é com Marcius Majella, que faz o concièrge, Ferdinando, em Vai Que Cola. Como é que funciona?

Na base da provocação. A gente se provoca e se zoa o tempo todo. Conheço o Marcus há um tempão, desde o tempo da Casa das Artes de Laranjeiras, a CAL. A gente estudava junto. O Marcus, o Fábio (Porchat), eu. Cada um seguiu seu caminho. Marcus e Porchat foram para o Porta dos Fundos, que ele largou para ficar no Vai Que Cola. Até porque a gente se conhece tanto, aquilo que está na tela ocorre no set, também. O Marcus faz muita piada de veado, mas é coisa inocente. Não se faz disso uma bandeira. E ele ri demais, contagia a gente. Você viu o set. Se ninguém ri, é porque tá chocho e tem de ser aprimorado.

O oposto de rir é chorar. Você chora muito? No cinema, por exemplo? 

Demais. Vi esse filme com a Julianne Moore, Para Sempre Alice. Chorei o tempo todo. E o filme é bom, não?

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