Primeiros "Senhor dos Anéis" voltam ao cartaz

Aquilo que os fãs de O Senhor dos Anéis vinham pedindo, a distribuidora Warner concede, a partir de hoje. À espera do terceiro capítulo da série, O Retorno do Rei - que estréia no dia 25, em pleno Natal, em cópias zero-bala, sem as horríveis marcas d´água exibidas na versão para a imprensa -, o público poderá (re)ver os dois primeiros filmes da saga criada pelo escritor J.R.R. Tolkien. Essas duas versões não são aquelas lançadas nos cinemas brasileiros. A Warner está trazendo ao Brasil, nos dois casos, a versão do diretor Peter Jackson. A Sociedade do Anel ganha mais 34 minutos e As Duas Torres mais 40. Em filmes que já duravam 178 e 179 minutos, o acréscimo poderia ser fatal, apenas um capricho do diretor neozelandês. A surpresa é constatar que as novas metragens não pesam. A Sociedade do Anel ficou até mais leve, você vai ver. As Duas Torres, que já era superior, ficou ainda melhor. Em A Sociedade do Anel, a batalha de Isildor ficou mais longa, as cenas que mostram Bilbo escrevendo seu livro são mais detalhadas e o encontro dos hobbits com os elfs explora mais a diversidade das duas culturas associadas à Terra-Média. Em As Duas Torres, a batalha por Eisengard ficou ainda mais espetacular, a caminhada de Frodo, Sam e do Gollum ganhou novas cenas que exploram tanto as dificuldades externas, ditadas pela hostilidade do ambiente, quanto as internas, provocadas pelo clima de desconfiança entre os três. Merryn e Poppin também entram na casa de Barbárvore, na floresta de Fangor, e há, em flash-back, um comovente encontro entre os irmãos Faramir e Boromir. Tudo isso serve de aquecimento para O Retorno do Rei, que terá amanhã pela manhã, no Unibanco Arteplex, a sessão para fãs de carteirinha, aqueles que vão fantasiados para ficar mais próximos do universo mágico criado por Tolkien. Numa entrevista à revista francesa Studio, Peter Jackson disse que assistiu, na TV inglesa, a uma paródia de O Senhor dos Anéis feita pela dupla French e Saunders. Mal comparando, deve ter sido algo como se o Casseta & Planeta fosse parar na Terra-Média. Jackson deu-se conta do que conseguiu evitar - seu medo era cair no grotesco e no ridículo involuntário. Com um universo fantástico habitado por hobbits de pés cabeludos, um mágico de chapéu pontudo, elfs de orelhas como a do Dr. Spock e mais todo tipo de criaturas bizarras, seria muito fácil cair no burlesco. Jackson sempre soube que seu desafio seria tornar a história de Tolkien verossímil. Conseguiu-o dando um tratamento realista à trama 100% fantástica. Também à Studio, o cineasta disse que embarcou nessa aventura gigantesca só pelo desejo de chegar ao terceiro episódio. O que ocorre com todos aqueles personagens em O Retorno do Rei era o que lhe interessava contar. Para chegar até lá, precisou fazer A Sociedade do Anel, introduzindo o espectador na Terra-Média, com todos os conflitos que se desenvolvem em torno de um certo Frodo, que assume a tarefa de portar um anel do mal, um anel que a todos pode destruir. E prosseguiu, ainda introduzindo novos personagens ao drama - o Gollum -, em As Duas Torres. Foram, como disse o diretor, seis horas de preparativos para três horas de resultados no poderoso O Retorno do Rei. Você não precisa ter lido os três livros para usufruir as qualidades deste gigantesco espetáculo que concentra as melhores virtudes do cinemão. Mas, se tiver lido, poderá perceber que Jackson não foi fiel apenas ao espírito de Tolkien. Foi fiel também à letra dos romances - O Retorno do Rei toma menos liberdades do que certas declarações do diretor autorizavam esperar. Os possíveis reparos que podem ser feitos ao opus final - ausência de Saruman, excesso de finais - talvez venham a ser sanados quando sair a versão do diretor para O Retorno do Rei, incorporando material que ficou fora da montagem do filme a ser lançado e também harmonizando mais a questão do ritmo. Com seu elenco excepcional - Ian McKellen, Viggo Mortensen, Cate Blanchett, Liv Tyler, Orlando Bloom, John Rhys-Davis e Elijah Wood -, mais as novas tecnologias que permitiram ao diretor criar o Gollum inteiramente em computador, a saga de O Senhor dos Anéis é uma das mais grandiosas (a mais?) da história do cinema, que não é só isso, mas também é isso. Viajar na Terra-Média em companhia de Peter Jackson é uma experiência rara, de arte e vida.

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