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Primeiro filme da Netflix em árabe gera controvérsia e pedido de explicações por parlamentares

Filme retrata a homossexualidade e sexo fora do casamento, assuntos considerados como de má influência na cultura árabe

EFE, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2022 | 15h35

O primeiro filme original da Netflix em árabe, Ashab wala Aaz – ou Perfeitos Desconhecidos no catalogo brasileiro, causou grande polêmica no Oriente Médio porque a adaptação do filme italiano Perfect Strangers trata de assuntos tabus como homossexualidade e sexo fora do casamento, o que lhe custou duras críticas a os atores, incluindo a egípcia Mona Zaki.

Desde sua estreia na plataforma em 20 de janeiro, o filme se posicionou como o mais assistido em praticamente todos os países da região, mas foi alvo de críticas ferozes e até de intervenção de políticos no Egito.

O deputado Mustafa Bakri pediu ao presidente do Parlamento egípcio que o Ministério da Cultura informe sobre que tipo de medidas tomou diante de "esse tipo de filme" considerado uma má influência.

Bakri, assim como outros internautas, argumentam que o filme vai contra os valores da sociedade egípcia, por tratar de questões como sexo antes do casamento e “defender a homossexualidade”.

Enquanto isso, o Sindicato dos Atores Egípcios disse em um comunicado que “não apoiará nenhum ataque verbal ou tentativa de assustar ou depreciar qualquer artista egípcio como resultado de uma obra de arte para a qual ele contribuiu”. Ele afirmou que apoiará a atriz Mona Zaki no caso de "alguém tentar tomar qualquer ação de qualquer tipo contra a artista".

A União salientou que "protege os valores da sociedade egípcia" e enfatizou que "o papel dos atores é abordar questões espinhosas e soar o alarme sobre muitos fenômenos em nossa sociedade e que eles devem ser abordados por artistas e criadores egípcios em suas obras."

Até agora, a Netflix não comentou. Perfeitos Desconhecidos, longa-metragem de estreia do diretor libanês Wissam Smayra, estrelado pela renomada diretora e atriz libanesa Nadine Labaki, e a estrela egípcia Mona Zaki, entre outras, conta a história de um grupo de amigos no Líbano, que em reunião decidem colocar seus celulares sobre a mesa para que todos possam ler as mensagens em voz alta e ouvir as ligações.

Dessa forma, descobre-se um personagem que é homossexual, algo que os outros amigos defendem, e aborda-se a infidelidade e o sexo antes do casamento, temas considerados tabus nas sociedades conservadoras da região.

Diante das críticas, principalmente contra Zaki, outros artistas árabes de fama internacional quiseram se manifestar a seu favor. O ator egípcio radicado na Espanha Amr Waked, companheiro de Scarlett Johansson no filme Lucy, denunciou que a "loucura" que explodiu contra a atriz "deve parar".

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