Primeiras cenas de "Olga" são gravadas no Rio

Munique, 1924. Olga Benario entra. Um quarto desorganizado com roupas e muitos livros espalhados. Cartazes com o rosto de Lênin e sobre a Revolução Russa nas paredes. Com 16 anos, ela briga com os pais, judeus burgueses, e sai de casa definitivamente. Vai para Berlim. Depois, para Moscou, onde conhece o comunista brasileiro Luís Carlos Prestes. É o início de Olga, filme de Jayme Monjardim, baseado no livro de Fernando Moraes, que começou a ser rodado na Rua Bernardino dos Santos, em Santa Teresa, centro do Rio. No set, palmas após 12 horas de filmagem. É o longa-metragem de estréia do diretor da Globo e da atriz Camila Morgado, que vive Olga. Uma produção da Nexus Cinema e Vídeo e da Globo Filmes, orçada em R$ 12 milhões, com roteiro de Rita Buzzar. A cena mostra parte das recordações da protagonista em um campo de concentração nazista, em 1942, pouco antes de ser levada para a câmara de gás. "Acho que tenho um estilo meio televisivo de fazer cinema. Minha decupagem é mais de TV do que cinematográfica, com muito close e ritmo. Mas vou me policiar um pouco para não abusar. É arriscado, mas pode ser interessante", diz Monjardim, diretor de novelas como Pantanal, Terra Nostra, O Clone e da minissérie A Casa das Sete Mulheres. "Eu não queria abrir mão do meu estilo de contar história. A gente demora muitos anos para criar um carimbo, e vou manter minha linguagem. Tem corte televisivo, com câmera frontal e pouco perfil, mas é cinema." Vida - Olga ingressou na Juventude Comunista alemã aos 15 anos. Em Moscou, perseguida, recebeu treinamento militar e ganhou altos postos na hierarquia da esquerda. Na viagem de volta ao Brasil para organizar uma revolução comunista, Olga e Prestes se apaixonaram. Foram presos em 1936 e nunca mais se viram. Grávida de Anita Leocádia, foi entregue a Adolf Hitler pelo governo de Getúlio Vargas. "O filme prioriza a vida de Olga: uma grande mulher, que teve um grande amor e passou por terríveis situações", diz o diretor. Ele tem prazo de dez semanas para concluir a filmagem - serão 50 locações, todas no centro do Rio. Caso consiga fechar um acordo de co-produção, poderá rodar mais uma semana no exterior, possivelmente em campos de concentração nazistas da Romênia. "Eu quero que Olga seja monocromático, quase cinza. Essa atmosfera só será rompida pelos olhos de Camila e pelos sonhos de Olga", diz. Camila conta que está se preparando há dois meses para viver Olga no cinema, com aulas de alemão, de tiro, treinamento militar e muita leitura. Ao longo da filmagem, terá de emagrecer seis quilos e raspar o cabelo. "Faz 20 dias que tenho sonhado com ela. Já acordei chutando parede, brigando. O começo para mim é mais difícil. É minha estréia no cinema, acordei às 4 horas, estou muito cansada." Segundo a roteirista, a idéia inicial era produzir uma minissérie. Ela conseguiu uma bolsa do Instituto Goethe para escrever o roteiro, viajou à Alemanha, pesquisou arquivos e visitou o campo de concentração onde Olga foi assassinada. Em 1997, comprou os direitos do livro e iniciou a captação de recursos, por meio da Lei do Audiovisual. Segundo Monjardim, a distribuição será feita pela Lumière - ele ainda aguarda posicionamento da Miramax. "Sinto que tenho um grande filme nas mãos, vai ser muito emocionante, mas tenho de ser humilde para esperar o resultado", disse o diretor. O lançamento está previsto para o fim do primeiro semestre de 2004.

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