Presidente da Motion Picture deixa o cargo

Jack Valenti fez uma pausa na limpeza de seu escritório na semana passada para falar de um assunto que conhece bem: a arte da persuasão. Em sua mesa habitual no restaurante do Hay Adams Hotel, o chefe dos lobistas de Washington, de 82 anos, refletiu sobre como mudou a cidade e os novos planos de ação dos lobistas, durante entrevista ao repórter do The Washington Post Jeffrey H. Birbaum. Durante os 38 anos em que serviu como presidente da Motion Picture Association of America, esse texano tem sido controverso, falando aquilo que lhe vem à cabeça. Ele será substituído pelo ex-secretário da Agricultura Dan Glickman. Mas continuará a supervisionar o serviço de classificação etária dos filmes. E não pretende fazer lobby para os grandes estúdios. O que lhe dará ainda mais liberdade para dizer o que pensa. Segundo Valenti, em quatro décadas, tudo mudou em Washington, e nem sempre para melhor. Um exemplo: o rancor entre partidos. O mentor de Valenti, Lyndon Johnson, brigava publicamente com o líder republicano do Senado, Everett Dirksen. Mas, em particular, diz Valenti, "faziam acordos e o governo seguia adiante". Hoje, não há mais compromissos. "Há um odor de hostilidade no ar, maior do que jamais vi." As corridas no Congresso também transformaram a capital americana em algo que ela nunca foi: a meca do arrecadamento de fundos. Antes, arrecadava-se dinheiro nos Estados e, em Washington, legislava-se. Não mais. Valenti adaptou-se a todas essas mudanças bem o suficiente para chegar ao que chama de sua grande conquista: "Sobrevivi." E é esse seu conselho para novos lobistas. "Se você tenta combater a mudança, está perdido. Abrace a mudança e dobre-a para o lado que lhe interessa." Apenas uma coisa não muda - e aí está a fórmula para lidar com legisladores: massagens constantes de ego. E, por que a aposentadoria? "Queria sair por conta própria, sem ninguém em Hollywood dizendo: ´Quando diabos aquele velho vai sair de lá?´ Depois de 38 anos, pareceu oportuno e inteligente, por isso decidi", ele diz. E acrescenta: "Aposentadoria parece sinônimo de decadência. E não pretendo decair tão cedo."

Agencia Estado,

31 de agosto de 2004 | 15h59

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