Cleiton Thiele/Pressphoto
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Presidente da Ancine debate sistema de ranking com cineastas

No Festival de Gramado, Christian de Castro falou sobre o sistema de pontos recebidos pelos artistas que deve interferir no acesso às verbas

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2018 | 22h00

GRAMADO - A Ancine (Agência Nacional do Cinema), dirigida por Christian de Castro, havia anunciado um ranking de cineastas que pesaria no acesso às verbas. Nesse ranking, havia nomes de cineastas mortos, como Rogério Sganzerla, Andrea Tonacci e Nelson Pereira dos Santos. Além disso, alguns novos diretores, que têm conseguido sucesso em festivais e junto à crítica, como Affonso Uchoa e André Novais, haviam recebido pontuação muito baixa. 

Para apaziguar os ânimos, Christian de Castro convocou uma coletiva de imprensa que aconteceu na terça, 21, na cidade de Gramado, durante o festival de cinema, onde se concentram jornalistas especializados e diretores e produtores de cinema. Castro fez uma longa e, para muitos, enigmática preleção, recheada de termos técnicos e vazada no mais puro economês. 

Falou, por vezes, de algo bem real, como o descompasso entre a alta produção de longas-metragens no País (158 longas ano passado) e sua pífia presença no mercado – apenas 7% de ingressos vendidos no chamado market share. 

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Falou também nas várias linhas de financiamento abertas pela agência e no incentivo a empresas bem estabelecidas no ramo, que acabam por receber pontuações superiores. “Precisamos valorizar as empresas”, disse. “Senão, não vale a pena se estabelecer como empresa.” Defendeu também que o “tempo de maturação dessas empresas, trabalhando há 30 ou 40 anos no ramo, deve ser levado em conta”. 


No pouco tempo concedido às perguntas, foi questionado por realizadores presentes, em especial por Marina Meliande, diretora de Mormaço, um dos filmes em competição no Festival de Gramado

Marina serviu como uma espécie de porta-voz do cinema que, à falta de título melhor, é chamado de “independente”, de modo geral mais ousado esteticamente e com maiores dificuldades de se inserir num mercado cada vez seletivo e menos receptivo a novidades. 

Castro admitiu que o ranqueamento poderia apresentar problemas e que estes seriam corrigidos com o tempo. “Cada vez que mudamos um modelo, ele pode apresentar falhas, mas estas serão sanadas”, disse. 

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Um dos critérios para pontuação seria o mérito artístico. Mas Marina observou que o peso relativo desse quesito é muito inferior ao do currículo das produtoras. “Seria preciso equilibrar esses itens”, reivindicou a cineasta.

Castro observou que dois concorrentes de Gramado, Benzinho, de Gustavo Pizzi, e Ferrugem, de Aly Muritiba, haviam conquistado pontos em suas participações em festivais no exterior e seus realizadores estariam em posição melhor para reivindicar verbas futuras. Esse seria um dos critérios, talvez o principal para avaliação de “qualidade artística”. 

Ok, mas quem conhece o circuito de festivais sabe como muitas vezes as premiações podem ser subjetivas ou idiossincráticas, conforme os júris escolhidos. E, em muitos festivais internacionais, os prêmios são poucos, o que faz com que filmes às vezes notáveis passem em brancas nuvens. Não teriam qualidade artística por isso?

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