FORDPIONEI
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Presente em 'Ford vs Ferrari', corrida de Le Mans é ‘menina dos olhos’ de montadoras

Vale tudo para vencer corrida com duração de 24 horas, que surgiu em 1923 com inconformismo de três franceses

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2019 | 06h00

Os amantes do automobilismo convergem em muitas coisas. Mas há uma divergência de décadas, que, parece, será eterna, quando o tema é a corrida mais charmosa do mundo. Os mais jovens defendem o GP de Mônaco de F-1. Os “antigos” nem discutem. Para eles, não há nada igual às 24 Horas de Le Mans.

Seja como for, o fato incontestável é que a maratona sobre quatro rodas que teve sua primeira edição em 1923 faz parte da “alma’’ do automobilismo de competição.

A prova existe por causa do inconformismo de três franceses – Georges Faroux, Charles Durand e o jornalista Emile Coquile – com a pouca resistência dos carros de rua da época. Então, com apoio do Automóvel Clube local, foi proposto então o desafio: uma prova de resistência (endurance, em francês) como o objetivo de mostrar que os carros aguentavam o tranco. Nascia, assim, as 24 Horas de Le Mans.

A origem da prova é a melhor explicação para o empenho da indústria automobilística em fazer sucesso nela. Le Mans serve como laboratório, como base de desenvolvimento. Carro que vence as 24 horas é eficiente, confiável. Ganhar Le Mans significa sucesso de vendas para a marca – com seus outros modelos. Montes e montes de dólares no caixa. Pode tirar uma empresa do buraco.

Por isso, é comum que fábricas tenham suas “divisões Le Mans’’, destinadas a desenvolver o melhor conjunto carro/motor para fazer sucesso na pista de 13,6 km do Circuit de La Sarthe, nas cercanias de Le Mans, cidade a 209 km de Paris.

Vale tudo para isso. Gastar milhões em desenvolvimento, contratar os melhores profissionais de engenharia e técnicos a peso de ouro, pagar fortunas para ter os principais pilotos e, dizem, até falcatruas, sabotagens e aliciamento de pessoas.

Fábricas marcaram época em Le Mans. Entre elas Porsche, BMW, Audi, Bentley, Jaguar, Toyota (vencedora das duas últimas edições). E, claro, Ferrari e Ford (como demonstrado no novo filme de James Mangold, Ford vs Ferrari).

Para o público, é uma experiência marcante acompanhar a maratona, às vezes sob sol, noutras sob chuva, com frio, calor – e em muitas ocasiões tudo isso no mesmo pacote. 

Le Mans tem disputas, heróis, vilões, dramas e, às vezes, até tragédias, como de 1955, quando 84 pessoas morreram em consequência de um acidente entre dois carros na reta principal do circuito, o pior da história do automobilismo – naquela época, assistia-se as provas quase dentro da pista e um dos carros voou em chamas sob os espectadores. Assim, quem quiser, e/ou puder, já pode se programar para a próxima Le Mans. A largada da 88.ª edição será em 13 de junho de 2020, um sábado.

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