Prêmio em Cannes marca bom momento do cinema francês

Os críticos de cinema saudaram aprimeira vitória francesa em 21 anos no Festival de Cannes,quando o drama "Entre Les Murs" ganhou a Palma de Ouro demelhor filme, na noite de domingo. O triunfo representou mais um marco para o cinema francês,que recentemente viu Marion Cotillard receber o Oscar de melhoratriz e "Bienvenue Chez Les Ch'tis" virar sucesso de bilheterianacional, visto por cerca de 20 milhões de pessoas. A atriz Catherine Deneuve recebeu um prêmio especial, aolado de Clint Eastwood, antes de o festival ser encerrado ecentenas de jornalistas e executivos do cinema deixarem acidade, na segunda-feira. O festival deste ano teve a mistura costumeira de glamourde Hollywood e cinema independente contundente, e, embora osestúdios tenham se mostrado menos dispostos a gastar livrementena cidade turística da Riviera, nem isso, nem a chuvaatrapalharam as muitas festas. Grandes nomes como Angelina Jolie, Brad Pitt, Robert DeNiro, Clint Eastwood, Penelope Cruz, Woody Allen, StevenSpielberg e Harrison Ford percorreram o tapete vermelho esteano, além dos astros esportivos Mike Tyson e Diego Maradona. "Entre les Murs" é um retrato naturalista de um colégio desegundo grau num bairro parisiense em que o professor luta paramanter a disciplina. O filme trata de questões polêmicas na França, como asuperlotação das salas de aula e os jovens imigrantes, mas nãotoma posição política declarada. Exibido quase ao final dofestival, o filme cativou o público. "Não me recordo de nenhum outro filme que fosse maisevidentemente vencedor", disso crítico de cinema e veterano deCannes Mark Cousins, acrescentando que "Entre les Murs" ajudoua resgatar a competição, de outro modo um tanto quantodesinteressante. "FILME EXTRAORDINÁRIO" O diretor Laurent Cantet disse que seu elenco de jovensatores ficou comovido quando assistiu ao filme pela primeiravez. "Acho que eles sentiram que o filme falou deles e de seumundo. Sentiram que tinham feito algo de importante", disse eleà Reuters, antes de o presidente do júri, Sean Penn, entregar aPalma de Ouro ao filme que descreveu como "extraordinário". As escolhas do júri na última noite do festival foram emsua maioria condizentes com as preferências do público. Benicio del Toro foi considerado o melhor ator pelo retratode revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara no filmedirigido por Steven Soderbergh, e o prêmio de melhor atrizficou com a brasileira Sandra Corveloni pelo drama "Linha dePasse", de Walter Salles. O Grande Prêmio foi dado ao italiano "Gomorra", drama deMatteo Garrone sobre a máfia napolitana Camorra. O turco NuriBilge Ceylan levou o prêmio de melhor direção por "TrêsMacacos", uma história sombria sobre segredos de família. Mas a cerimônia de premiação trouxe algumas surpresas. O documentário animado israelense "Valsa com Bashir" nãofoi reconhecido, apesar de ter sido largamente elogiado pelomodo comovente em que narra os esforços de um recruta de trazerà tona memórias passadas do massacre de palestinos nos camposde refugiados de Sabra e Shatila, em Beirute, em 1982. Clint Eastwood participou da competição principal com "ATroca", em que Angelina Jolie faz uma mãe dos anos 1920 quebusca seu filho desaparecido. Alguns órgãos de imprensa franceses reclamaram do fato de oveterano de Hollywood não ter recebido um dos prêmiosprincipais. O jornal Le Figaro disse que o prêmio especial dado aodiretor foi uma "medalha de chocolate" -- um prêmio deconsolação que, sugeriu, pode ter explicado a ausência deEastwood da cerimônia de encerramento. "Nunca uma cadeira vazia foi tão gritante quanto a dele",disse o jornal.

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