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Prêmio destaca vitalidade do cinema israelense, diz diretor

'Líbano', de Samuel Maoz, era mesmo o favorito para vencer o prêmio principal do Festival de Veneza

Flavia Guerra, de O Estado de S.Paulo,

12 de setembro de 2009 | 16h07

Ao receber o Leão de Ouro pelo filme "Lebanon" (Líbano) no 66° Festival de Cinema de Veneza, o israelense Samuel Maoz destacou a vitalidade do cinema israelense e a liberdade de criação artística: "Obrigado a todos por poder participar de um festival tão arrojado e livre. Meus atores, meus produtores. Este filme é um pedaço do meu coração. Sou muito orgulhoso pelo cinema israelense, que hoje é um dos grandes exportadores da nossa cultura. Temos que abrir a cabeça das pessoas e perguntar: Quem a gente pensa que é? Em que nos tornamos? E no que nós queremos nos tornar e o que não queremos ser nunca mais. Viva a arte do cinema. Viva a Bienalle, Vivia Veneza", declarou o diretor.

 

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O filme é baseado nas próprias experiências de Maoz. "Levei mais de 25 anos para exorcizar todos os fantasmas que vivi naquela guerra. Não foi fácil, mas valeu a pena fazer este filme", disse Maoz, que escolheu um ponto de vista criativo para contar as brutalidades da guerra. Em "Lebanon", grande parte da ação se passa dentro do tanque em que viajam os soldados israelenses. A visão e o pânico que o público sente é a mesma que os soldados sentiam.

 

Mais uma tendência política foi sentida na escolha do Leão de Prata de Melhor Direção. A bela e jovem Shirin Neshat levou o prêmio por seu delicado "Women without Men" (Mulheres sem Homens). O filme conta de modo delicado e até mesmo surreal a vida de quatro mulheres no Irã dos anos 50 e teve recepção mais do que positiva durante a sessão de gala hoje.

 

O longa mostra o período em que um golpe de estado, que teve apoio inglês e liderança norte-americana, derrubou o então governo democrático e restituiu o poder ao xá.

 

"Obrigada a todos que me ajudaram a fazer este filme quando tudo ia contra. Este foi realmente um projeto internacional, feito por marroquinos, japoneses, iranianos. Este filme traz em seu coração a mensagem de liberdade pela liberdade e pela democracia. Estamos lutando há tanto tempo. Eu peço ao nosso governo que dê ao povo do Irã o que ele quer: paz e democracia", disse Shirin.

 

Já o prêmio de Melhor Ator não foi surpresa, mas emocionou a todos. Colin Firth levou a Coppa Volpi (Taça Volpi) por sua sensível interpretação do professor universitário gay em "A Single Man", de Tom Ford.

 

"Este país me inundou de presentes ao longo dos anos. Me deu outra cultura, literatura, o grande cinema, a cozinha, a grappa, me deu até mesmo uma mulher e dois filhos maravilhosos. Ter este prêmio nas mãos é a maior honra da minha vida", declarou o ator.

 

Ao fim do emocionado agradecimento, completou: "E este presente quem me deu foi também Tom Ford. Ele me deu sua confiança. Não como algo profissional, mas colocou nas minhas mãos algo muito pessoal. E isso se tornou pessoal também para mim. Tom é um dos melhores diretores com quem já trabalhei. Obrigado por seu olhar. Não vejo a hora de ver seu próximo filme. Se for para eu fazer uma ponta, eu faço."

 

O prêmio de Melhor Atriz foi para a italiana Ksenia Rappoport por "La Doppia Ora", de Giuseppe Capotondi. "Nem acredito que este prêmio é meu. Mas, na verdade, ele é do Giuseppe (Capotondi) também. No dia em que ele estiver aqui para receber o Leão de Melhor Direção, quero estar no filme dele também", brincou a atriz.

 

Já o Prêmio Especial do Júri foi merecidamente para "Soul Kitchen", do alemão de origem turca Fatih Akin. Uma das comédias mais inteligentes e bem escritas dos últimos anos, houve quem a apontasse como favorito ao Leão de Ouro.

 

Em tempos de temas políticos tão urgentes, é natural entender a escolha do júri, presidido por Ang Lee. Mesmo assim, "Soul Kitchen" é obrigatório para quem aprecia o bom, e engraçado, cinema. "Quero agredecer minha equipe. Este prêmio é para todos nós. Dos motoristas ao elenco. Vocês são a melhor equipe com quem eu já trabalhei", declarou o diretor.

 

O Brasil, que competia com dois filmes na Mostra Orizzonti (com "Insolação" e "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", acabou não levando nenhum prêmio apesar da boa acolhida. Quem levou a melhor desta categoria foi o filipino "Engkwentro", de Pepe Diokno.

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