Premiado "Instituto de Beleza Vênus" sai em vídeo

Viver desconfiando de tudo e de todos nos assuntos do coração é algo mais ou menos comum. Difícil é ser mulher e estar só, seja qual for o motivo. Pior quando se tem, mais ou menos, 40 anos. É o caso de Angéle, a personagem interpretada pela atriz Nathalie Baye. Ela é uma das três esteticistas em Instituto de Beleza Vênus, filme da francesa Tonie Marshall, que recebeu quatro prêmios Cesar no ano passado e agora sai em vídeo no Brasil.Embora relate um pouco da vida de cada uma das três moças - a ingênua Marie (Andrey Tatou) e a quase "ninfo" Samantha (Mathilde Seigner) -, sempre prestativas no trato com seus clientes, é na personagem de Angèle que a narrativa está centrada. É fácil perceber que ela não está em sua melhor fase, quando, nas primeiras cenas, fala pelos cotovelos com um parceiro eventual , num daqueles cafés de Paris. Acaba sendo rejeitada.Mas encontrar com quem transar é barbada para Angèle e boa parte das mulheres pós-feministas. O difícil é saber o que fazer quando um homem mais novo, bonito, arquiteto com jeito de inteligente se apaixona por ela e se declara. É rápido o processo de identificação do espectador. Afinal, quem gosta de receber todo aquele pacote de sentimentos que vêm junto com o amor, como ciúme, sensação de perda, falta de liberdade? Esse é o drama de Angèle, cujo passado não é desvendado no filme. E há as tramas paralelas, que seguem sob o seu olhar. Marie, com 20 anos, se envolve com um cliente, um homem mais velho, e o desfecho de seu caso é surpreendentemente agradável. Não só para os espectadores, como para Angèle, que ao vigiar sua amiga em sua primeira visita à casa do cliente, acaba inspirando-se para a entrega total ao seu arquiteto. Nada mal.A atriz é consagrada na França. No ano passado, recebeu prêmio de melhor interpretação no Festival de Veneza, por sua atuação em Uma Relação Pornográfica, de Frédéric Fonteyne, filme que está em cartaz nos cinemas da cidade. Também neste filme, a mulher quarentona aparece como decidida sexualmente, mas com uma dificuldade danada para se ajeitar com os sentimentos.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2001 | 13h58

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