Prefeitura de SP aluga antigo Cine Olido

A Secretaria Municipal de Culturade São Paulo alugou o Cine Olido, no centro da cidade, por 60meses, a um custo de R$ 12,6 milhões (R$ 210 mil mensais). APrefeitura de São Paulo pretende mudar a sede da secretaria parao local, que será reformado para abrigar os serviçosburocráticos da pasta, além de café, salas de ensaios, teatro. Até então, a sede da secretaria estava na Rua FreiCaneca, 1.402, a uma quadra da Avenida Paulista. Também é umedifício alugado, segundo informou a Assessoria de Imprensa daSecretaria Municipal de Cultura. De acordo com a assessoria, amudança vai fazer o município economizar, já que ficará maisbarato alugar o imóvel no centro. O Balé da Cidade e a Escola deMúsica também ocupam imóveis alugados e, como vão para a AvenidaSão João, isso também ajuda a reduzir custos, prevê asecretaria. O nome do prédio alugado é Edifício Domingos FernandesAlonso, ocupando endereços na esquina da Avenida São João com aRua Dom José Gaspar. A idéia para o Cine Olido é fazer da mudança dasecretaria para o local parte do projeto de revitalização daAvenida São João, transformando o espaço numa espécie de"multiplex cultural". O plano tem objetivos louváveis, mas aduração do contrato com a imobiliária que administra o edifício,a Savoy Imobiliária Construtora Ltda. vai só até um ano após ofinal da gestão de Marta Suplicy. O edifício alugado pela Prefeitura possui 23 andares e24 mil metros quadrados. Além da sede da Secretaria Municipal deCultura, deverá abrigar também os corpos estáveis do TeatroMunicipal, como a Orquestra Sinfônica Municipal, a Experimentalde Repertório, o Coral Lírico, o Coral Paulistano, o Quarteto deCordas, o Balé da Cidade, Escola de Bailado e Escola de Música.Havia uma previsão também da mudança da parte administrativa doTeatro Municipal para o novo edifício. O projeto de reforma prevê que as três salas de cinema(sala 1, para 419 pessoas; sala 2, para 239; e sala 3, para 241) desativadas há alguns anos, voltem a ser uma só, como no espaçooriginal, inaugurado em 1957. Ali seria criada uma sala deconcertos, com capacidade para cerca de 800 lugares, que sedestinaria a encenações teatrais e às atividades cotidianas daOrquestra Sinfônica Municipal e pela Orquestra Experimental deRepertório. O Cine Olido tem uma história cara à população de SãoPaulo. Inaugurado em 1957, foi o primeiro cinema da cidade afuncionar em uma galeria, além de ter sido pioneiro nainstalação de poltronas numeradas e sistema de reservas paraevitar filas. Segundo o pesquisador Inimá Simões, autor deSalas de Cinema em São Paulo, sua construção fez parte de umprojeto de elitização do centro da cidade. Tinha um lobby todorevestido de mármore, repleto de espelhos de cristal, e aindapiano e orquestra. Foi inaugurado com a exibição do filmeTarde demais para Esquecer, do irlandês Leo McCarey, comCary Grant e Deborah Kerr. No início da década de 80, a empresa que o controlava, aSul Paulista, fez uma ampla reforma e dividiu a única sala de800 lugares em três. Com a decadência do centro, foi definhandoaté fechar. Apenas seis pessoas testemunharam a última sessão docinema em 1996, quando a Playarte exibiu na sua sala 2 o filmePlaneta dos Macacos.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2002 | 15h32

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