"Postman blues" é comédia radical

Ao entregar uma carta a um amigo de infância, que não via fazia muito, o carteiro Sawaki é envolvido involuntariamente em um intrincado esquema, que vai colocar em seu encalço tanto a polícia como a Yakuza, a máfia japonesa. O detalhe é que em minuto algum Sawaki vai desconfiar que se transformou em um perigo nacional. Eis o ponto de partida de Postman Blues, comédia radical dirigida pelo ex-músico Sabu, que estréia hoje.Conhecido em seu país pela visão demolidora que caracteriza sua obra, Sabu partiu para a caricatura e o nonsense. Afinal, como definir uma situação em que o amigo de Sawaki, matador profissional, recém cortou o dedo mindinho quando reencontra o amigo? E que o membro mutilado acaba caindo na bolsa de correspondências do carteiro?A inocência de Sawaki, que cruza a história sem saber que foi transformado em perigoso elemento pela polícia e pela Yakuza, é, na verdade, o eixo central do filme. Sua expressão simples e sempre desejosa de praticar boa ação (ele se apaixona, por exemplo, por uma menina que está prestes a morrer de câncer) é o único exemplo de normalidade em uma sociedade caricata.A polícia, por exemplo, é formada por desajeitados profissionais, cujo raciocínio delirante transforma os mais simples gestos de Sawaki em atos de um psicopata. O ponto alto é a adesão de um psicólogo à caçada do carteiro - por meio de um raciocínio lógico, ele prevê corretamente todos os passos de Sawaki, mas sempre conferindo uma interpretação criminal, o que aumenta ainda mais o apetite dos policiais na caçada.Também os mafiosos surgem como caricaturas ambulantes, que encaram a função de matador como uma profissão normal. Em seus diálogos e atitudes, há fortes referências à cultura pop de Pulp Fiction, de Quentin Tarantino. O diretor Sabu, no entanto, é mais ferino em sua sátira, criando um final feliz, mas de indisfarçável gosto amargo.

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