Porto Alegre sedia quinto Encontro da Socine

A Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema) reúne ? de quarta a sábado, na PUC de Porto Alegre ? 162 pesquisadores, professores universitários e estudantes de pós-graduação, para seu quinto encontro anual. Serão apresentadas, ao longo de quatro dias, pesquisas cinematográficas, distribuídas em 42 mesas temáticas. Na abertura, a professora Chris Straayer, da New York University, abordará o tema Aspectos e Amostragens Transexuais. João Luiz Vieira (O Corpo do Voyeur) e José Gatti (O Corpo Masculino, Autoritário, Totalitário) também apresentarão reflexões sobre o tema. Já Antônio Moreno, cineasta e professor da UFF, apresentará A Personagem Homossexual no Cinema Brasileiro, tema de belo livro recém-lançado pela Funarte.Fernão Ramos, presidente da Socine, e Maria Dora Mourão, professora da USP, vão, por sua vez, analisar os estudos de cinema na universidade brasileira . Já Carlos Roberto de Souza, da Cinemateca Brasileira, discorrerá sobre os objetivos e metodologia do Censo Cinematográfico Brasileiro, projeto em andamento, com patrocínio da BR Distribuidora. O Censo pretende resgatar tesouros em nitrato e celulóide, que estejam em lugar incerto ou desconhecido. A pesquisador Mila Derzett apresentará provocante estudo sobre misses e o mito das estrelas de celulóide (O Que Que Ela Tem que Eu Não Tenho? Ensaio Sobre o Narcisismo das Misses e o Mito das Estrelas).Cinema internacional ? Dezenas de pesquisadores apresentarão estudos sobre filmes e realizadores internacionais como Bresson (Robert Bresson: o cinema num atormentado silêncio, por Susana Dobal, da UnB), Ettore Scola (A Mística do Heroísmo, por Célia Cavalheiro), Rosselini (O Cinema de Idéias de Roberto Rossellini, por José Buarque Ferreira), Theo Angelopoulos (O Estranho no Cinema de Angelopoulos, por Soraia Vilela, doutoranda da Freie Universität, Berlim), Kurosawa (Oriente-ci?nema: Aspectos Psicossociais da Obra de Akira Kurosawa, por Carlos Abbud), Godard (J.L.Godard e o musical neo-realista, por Alfredo Manevy), Pasolini (Os Documentários de Pasolini, por Vanessa Durando, graduada pela Universidade Estadual de Torino/Itália), Antonioni (Blow Up, por Annateresa Fabris), Bertolucci (Antes da Revolução: história e subjetividade de classe, por Leandro Saraiva), Eisenstein (A formação dos conceitos e o discurso interior em Vygostky e Eisenstein, por Silnei Soares), Griffith (Das academias de ciências para o "escurinho" do cinema: o racismo de Griffith em O Nascimento de uma Nação, por Paulo Miguez), Gutierrez Alea (O Percurso de uma Revolução, por Silvia Oroz, UnB) e Almodóvar (Depois da Festa: a transgressão no cinema, por Moema Franca). A pesquisadora gaúcha, Ivonete Pinto, especialista em cinema iraniano, se afastará momentaneamente do documentário (uma das matrizes do cinema persa) para abordar o tema De Hafez a Makhmalbaf: a Influência da literatura no cinema do Irã.De 1960 a 2000 ? O cinema brasileiro é tema da maioria das mesas-temáticas do 5.º Socine. A produção dos anos 80-90 será avaliada por Miriam Rossini (A guerrilha nas telas: os exemplos de Lamarca e O Que é Isso, Companheiro?), Sônia Oliveira (Orfeu e O Rap do Pequeno Príncipe: o cinema sobe aos infernos), Andréa Barbosa (Ronda ? Espaço, experiência e memória em sete filmes paulistas dos anos 80) e Humberto Keske (Filme Tolerância: códigos estruturais de representação).A produção brasileira será analisada, também, em mesa cujo tema central será a violência. Maria do Socorro Carvalho estudou Uma Trilogia da Fome: Bahia de Todos os Santos, Barravento e A Grande Feira, Maurício R. Gonçalves apresenta A Violência em Dois filmes brasileiros: Caiçara e O Pagador de Promessas; Lílian Hodgson dedicou-se a Vidas Secas, clássico cinemanovista, e Eu Tu Eles, filme contemporâneo que revisita o sertão em A Cor como Operador Discursivo. Já Maurício Caleiro, da UFF, analisa Pixote nas Cidades ? Infância Marginalizada e Espaço Urbano no Cinema Brasileiro.Dezenas de realizadores brasileiros terão sua obra avaliada no Encontro. Este é o caso de Walter Salles (O Cinema de Walter Salles e a Mitologia, por Denise Morini), Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável: a ironia em perspectiva verbo-visual, por Mariana Junqueira), Ruy Guerra (Terras e fronteiras em Estorvo, por Andréa França); Nelson Pereira e Bodansky & Senna (A mediacão da mulher na relação entre índios e brancos em Como Era Gostoso o Meu Francês e Iracema, uma Transa Amazônica, por Ana Lobato), Wilson Barros (As Interfaces de Passagens de Anjos da Noite, por Maurício Taveira), Guilherme de Almeida Prado e Júlio Bressane (Filmes lúdicos no cinema brasileiro, por Renato Pucci Jr), Carla Camurati (As Representações da História nos Filmes Independência ou Morte e Carlota Joaquina, por Vitória da Fonseca), André Luiz Oliveira (Meteorango Kid, Herói ou Vítima da Linguagem, por Ilana Marzochi) e Jorge Furtado (Curta-metragens de Jorge Furtado: Como o Cinema Clássico consegue expor conceitos, por Newton Cannito).O cinema brasileiro recente, visto em seus aspectos político e econômico, é tema de dois importantes estudos que serão apresentados no Socine: A política cinematográfica no período 1990-2000 (por André Gatti, mestrando, Unicamp) e O cinema brasileiro pós-Collor (por Denise Lopes, mestranda, UFF). O pernambucano Alexandre Figuerôa, por sua vez, vai discorrer sobre tema polêmico ao perguntar: A Onda do Cinema Novo na França foi uma invenção da crítica?. Samuel Paiva, doutorando da USP, apresentará estudo sobre a crítica e os filmes de Sganzerla.Glauber e Mauro ? Glauber Rocha continua, de tal forma, fecundando os estudos cinematográficos brasileiros, que ele merecerá mesa temática em separado, intitulada Glauberianas. Regina Motta, da UFMG, apresentará dissertação de título (e conteúdo) provocante: É preciso devorar a cabeça de Glauber. Já Samuel Averbug analisará A Infidelidade à Poesia em America Nuestra e História do Brasil, enquanto Tetê Mattos, da UFF, avaliará Jorjamado no Cinema e Di-Glauber: um estudo comparativo de dois documentários de Glauber.Em outra mesa temática, um filme de Glauber, A Idade da Terra, será analisado para que Sérgio Assis defenda a tese de que O Cinema Novo Encontra (com o fecho da Trilogia da Terra) o Cinema Marginal. Por sua vez, Adriana Braga, da Unisinos, mexerá num vespeiro ao perguntar: Imbecis ou patéticos? A representação do povo brasileiro em Terra em Transe e Central do Brasil.A pesquisadora gaúcha, Fatimarley Lunardelli apresentará análise sobre A Crítica na Década de 60 em Porto Alegre e a Revista Filme 66. Um de seus temas é a reduzida aceitação de Glauber Rocha no Rio Grande do Sul, numa década em que o cineasta baiano era o centro das atenções da crítica bem-pensante no nordeste e sudeste brasileiros. Outro cineasta que estará no centro de mesa de estudos é o pioneiro Humberto Mauro. A pesquisadora paulista, Sheila Schvarzman, apresentará sua tese O Livro das Letras Luminosas ? Humberto Mauro e o Instituto Nacional de Cinema Educativo. Já Roberto Moura, da UFF, avaliará O Canto da Saudade: a exaustão e a transcendência dos "mestres" na obra de Humberto Mauro, enquanto Wagner Batista e Stella Penido (da Fiocruz) estudam, respectivamente, os temas Cinema e Educação e Documentário e Ciência no Brasil (nunca é demais lembrar que Mauro dirigiu vários documentários científicos para o INCE). Documentário ? O cinema documentário será tema de várias exposições. Duas delas avaliarão A Enunciação no documentário: a questão de "dar voz ao outro" (por Francisco Teixeira) e O Documentário Clássico Expositivo: Tradição Pictórica e Oratória (por Luiz Rezende Filho). Consuelo Lins, realizadora e pesquisadora, perguntará: Rindo de quê? O Humor e o Documentário. Ivana Bentes, nome de fundamental importância nos estudos sobre a obra de Glauber, discorrerá sobre o tema O Documentário como Performance. Já Anelise Corseuil avaliará O Documentário e o Filme Histórico Contemporâneo: a Construção Narrativa da Identidade Cultural Latino-Americana. Gelson Santana, doutorando da USP, se deterá sobre A Câmera de Inclusão na Obra de Eduardo Coutinho, o documentarista mais festejado do País, em nossos dias. Christine Villa dos Santos, por sua vez, analisa O Nordeste Retratado nos Documentários de Vladimir Carvalho (autor de Barra 68). A Religião será tema de mesa-redonda em que o documentário terá espaço nobre. Mariarosaria Fabris, da USP, analisará a Manifestação da Fé: de festa popular a celebração de massa; Sônia Weidner avaliará Santo Forte: uma etnografia do religioso, e Luiz Antônio Vadico, O Que Diz a Voz de Deus? O documentário religioso e sua relação com a Escola Documental Inglesa. O pesquisador pernambucano, Kleber Mendonça, por sua vez, vai analisar As tramas da imagem no programa Linha Direta.América Latina ? Uma mesa-redonda aproximará a chanchada brasileira dos filmes de Cantinflas (o cômico Mário Moreno), além de avaliar significativo aspecto da produção no subcontinente, o engajamento (O Engajamento Político no cinema latino-americano, por Djalma Ribeiro Jr). Maurício de Bragança é o autor de Cantinflado: o Dizer do Non-Sense, primeiro estudo universitário brasileiro sobre o cômico mexicano que foi convocado pelo grande cinema industrial de Hollywood (A Volta ao Mundo em 80 Dias). A chanchada brasileira, prima em primeiro grau dos filmes de Cantinflas, será avaliada por Daniela Dumaresq (Chanchada: Tradição Nacional) , por Edmilson Felipe (Por Uma História do Riso: Carlos Manga e a Chanchada no Brasil). O Cinema Mexicano Contemporâneo e Suas Platéias será tema de exposição de Patricia Torres San Martín, da Universidad de Guadalajara, um dos convidados internacionais do 5.º Socine.5.º Encontro Socine ? Debates abertos ao público. Informações no site www.socine.org.br) ou pelos e-mails socine@socine.org.br e pgcom@pucrs.br.

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